Padre critica Nikolas por voto contrário ao programa Gás do Povo, e deputado reage: 'Se porta como militante'
Um padre identificado como Flávio Ferreira Alves, da Paróquia Santa Efigênia, em Córrego Novo (MG), criticou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por ter votado contra o programa Gás do Povo, aprovado pela Câmara na semana passada. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o religioso, durante uma missa, pedindo para que os fiéis que concordassem com o parlamentar saíssem da igreja, pois "não mereciam" receber a eucaristia. No final de janeiro, outro padre, da Igreja do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, também criticou o deputado por conta da caminhada realizada Brasília. Desta vez, Nikolas afirmou que o pároco se portou como um "militante no altar".
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— Tem católico concordando com o Nikolas. Vou falar uma coisa grave: se você concorda com o Nikolas e não quer dar botijão de gás para o pobre, sai da igreja agora. Você não merece receber a eucaristia — afirmou Alves.
Em nota divulgada neste domingo, a Diocese de Caratinga tratou o ocorrido como um "fato isolado", e afirmou que as declarações do padre "ocorreram em momento de forte emoção". A igreja também reafirmou o "compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões":
"O sacerdote expressa seu profundo arrependimento e pede perdão a toda a comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos e excluídos por suas palavras. A igreja ensina que a eucaristia é o sacramento da unidade e não deve ser utilizada como instrumento de divisão", diz outro trecho do comunicado.
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Nas redes sociais, na noite deste domingo, Nikolas rebateu os comentários do padre mineiro. O parlamentar questionou o porquê de estar "incomodando tanto", e definiu a ação do religioso como uma "heresia" vinda de alguém que "se porta como um militante no altar".
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O Gás do Povo é uma iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e uma de suas bandeiras eleitorais neste ano. A medida prevê a distribuição de botijões de gás (GLP) de forma gratuita a cerca de 15,5 milhões de famílias cadastrados no CadÚnico (cerca de 50 milhões de pessoas) e substitui o modelo anterior do vale-gás, que era por meio de depósitos na conta do beneficiário.
'Falta intelecto, ou Bíblia, ou os dois'
Nikolas também reagiu, na última segunda-feira, às críticas do padre Ferdinando Mancilio, da Igreja do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Durante uma missa, sem citar o deputado, o religioso afirmou que não adianta uma pessoa sem "nenhum projeto a favor do povo" realizar uma manifestação que, para ele, possui somente o intuito de querer o poder. Para o parlamentar, contudo, "falta intelecto ou Bíblia" para justificar o posicionamento do padre.
A fala do padre aconteceu durante sua pregação em uma missa no dia 25 de janeiro, mesmo dia em que o ato de Nikolas foi encerrado, com a realização de uma manifestação que reuniu cerca de 18 mil pessoas. Na mesma celebração, Mancilio ainda criticou quem defende o porte de armas, o que foi rebatido por Nikolas.
— Falta intelecto ou Bíblia. A arma não é o mal, o mal é quem utiliza. Ou você não lembra quando Caim matou Abel (passagem bíblica) com uma .40? Ou quando Davi matou Golias com uma metralhadora? — ironizou Nikolas, em um vídeo publicado nas redes sociais.
A fala do padre aconteceu durante sua pregação em uma missa no dia 25 de janeiro, mesmo dia em que o ato de Nikolas foi encerrado, com a realização de uma manifestação que reuniu cerca de 18 mil pessoas. De acordo com o deputado, o intuito da caminhada seria defender a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e também a Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
— Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo, e dizer que está defendendo a vida. Mentira, quer o poder. Acho que você entende o que estou dizendo — disse Mancilio.
Na mesma celebração, o padre ainda criticou quem defende o porte de armas:
— "Padre, eu sou cristão, mas sou a favor das armas", me disse uma pessoa aqui no Santuário. Não tem jeito, é impossível. A arma só tem uma finalidade, de ferir e matar. Alguém me disse que o machado também mata, mas sua finalidade é outra. De que lado nós estamos? — questionou o pároco.
'Comunista' e 'covarde'
Parlamentares da direita reagiram às críticas do padre sobre a caminhada promovida por Nikolas. Segundo o líder do PL na Câmara, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), o pároco é uma "vergonha" para a Igreja Católica.
"Padre esquerdista, comunista. Vergonha para a Igreja Católica", escreveu Sóstenes, que também é pastor da Assembleia de Deus, em suas redes sociais, neste domingo.
O senador Magno Malta (PL-ES), que esteve presente no ato, também definiu o padre como "esquerdista e comunista". Em um vídeo divulgado nas redes sociais, neste domingo, ele chamou de covardia a "falta de coragem" do líder religioso em não citar o nome de Nikolas.
— Eu tenho certeza que muita gente que foi à missa está insatisfeita. Você (padre) se incomodou tanto, mas foi tão covarde que não teve nem coragem de dizer o nome do Nikolas — disse o senador. — Não sei a sua idade, mas espero que o senhor esteja vivo para vê-lo ser presidente da República.
Outro parlamentar que criticou o padre foi o deputado federal José Medeiros (PL-MT), ex-vice líder do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro:
"Padre ridiculariza marcha para Brasília e autodefesa ao mesmo tempo. Isso não é defesa da paz, está defendendo o discurso do partido do qual é simpatizante", escreveu.
