Padilha diz que interdição da Ypê foi técnica e cita atuação de órgãos ligados à gestão Tarcísio

 

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de interditar lotes de produtos da Ypê foi tomada com base em critérios técnicos e contou com participação de órgãos ligados ao governo de São Paulo e de um diretor da agência indicado durante a gestão Jair Bolsonaro. A fala ocorreu após aliados do ex-presidente iniciarem uma campanha nas redes sociais em defesa da empresa e passarem a acusar a Anvisa de perseguição política.

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Padilha reagiu às críticas e afirmou que há uma tentativa de transformar um debate sanitário em embate político.

— Tivemos uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população. A Anvisa não tem lado partidário. Tem apenas um lado: a proteção da saúde das famílias brasileiras — afirmou.

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Na última quarta-feira, a Anvisa determinou o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes produzidos na fábrica da Ypê em Amparo, no interior paulista. A medida atingiu produtos identificados com final “1” nos lotes e incluiu também a suspensão temporária da fabricação.

A decisão ocorreu após uma inspeção realizada no fim de abril por técnicos da Anvisa, da Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Municipal de Amparo. O relatório apontou problemas estruturais e risco potencial de contaminação microbiológica nos produtos.

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Segundo Padilha, o processo de fiscalização já vinha ocorrendo havia meses e não foi conduzido apenas por órgãos do governo federal. O ministro destacou que participaram das inspeções técnicos ligados ao governo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e citou também o diretor responsável pela área técnica da Anvisa, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, indicado ao cargo durante o governo Bolsonaro.

— O diretor da área foi indicado no governo Bolsonaro, atuou no Ministério da Saúde naquele período e hoje cumpre uma função técnica dentro da agência — disse.

Padilha afirmou ainda que a própria empresa já havia identificado anteriormente a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes produzidos na unidade de Amparo.

— Quando uma bactéria desse tipo aparece em um produto como esse, isso acende um alerta importante sobre possíveis falhas no processo produtivo — declarou.

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Segundo o ministro, o caso já era acompanhado pelos órgãos sanitários havia mais de um ano e a empresa vinha sendo alvo de inspeções recorrentes e exigências de adequação.

— Não é um tema que surgiu agora. Já havia inspeções anteriores, reconhecimento de problemas pela própria empresa e acompanhamento técnico em andamento — afirmou.

Nos últimos dias, apoiadores de Bolsonaro publicaram vídeos ironizando a decisão da agência e consumindo detergente da marca em sinal de apoio à empresa. A própria ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou foto com produtos da Ypê.

A marca apresentou recurso contra a decisão e conseguiu suspender temporariamente os efeitos da interdição até nova análise da diretoria colegiada da Anvisa, prevista para quarta-feira.

As declarações de Padilha ocorreram durante evento conjunto dos ministérios da Saúde e das Comunicações sobre ampliação da conectividade em unidades básicas de saúde. Na cerimônia, o governo lançou um edital do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para levar internet de alta velocidade e estrutura de wi-fi interno a cerca de 3,8 mil UBSs em regiões remotas do país.

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