Pacheco diz ter decidido não ser candidato ao governo de Minas: 'Vou fechar o ciclo da política'
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) declarou nesta sexta-feira que não vai ser candidato a governador de Minas Gerais. O senador disse que tomou a decisão de encerrar sua participação na vida política.
– Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que eu já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que não me eternizaria na política. Tenho muito desapego ao poder e felizmente não preciso da política para sobreviver. Eu tinha decidido que ia sair desse ciclo, ao sair da presidência do Senado essa decisão estava muito bem refletida e estou mantendo essa decisão.
O senador era visto como opção prioritária para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser candidato a governador em Minas Gerais e dar palanque para o petista no estado.
Pacheco chegou a trocar o PSD, que em Minas está mais alinhado à direita, para ir ao PSB e sinalizou aproximação com Lula, mas o acordo no estado acabou estremecido após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articular a derrubada da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Pacheco era o nome de preferência de Alcolumbre e outros senadores para a vaga. Setores do governo e do PT passaram a ver o ex-presidente do Senado com desconfiança após o episódio. Pacheco, no entanto, voltou a negar hoje ter trabalhado contra Messias.
Ao comentar sobre a possibilidade de ser indicado ao Tribunal de Contas da União, caso o ministro Bruno Dantas antecipe sua aposentadoria, Pacheco reforçou que não existe a vaga e “é algo que não se cogita”.
Mesmo decidindo não concorrer para dar palanque ao petista, o senador elogiou o presidente Lula:
– Minha relação com o presidente Lula é muito boa, sempre foi muito boa. Nós nos gostamos, temos apreço um pelo outro e tivemos uma convivência muito sadia mesmo antes de ele assumir a Presidência da República.
O parlamentar também comentou sobre os cotados para disputar o governo de Minas Gerais e falou sobre as opções do PSB para a disputa. Ele, porém, fez uma ressalva de que se trata de opinião e de que não vai participar do processo de escolha.
– Acho importante que esse campo democrático, progressista, de pessoas que querem reconstruir Minas Gerais possa escolher um nome que esteja à altura e tenha nomes bons. Na pergunta você cita o nome de Josué Gomes da Silva, que foi presidente da Fiesp, é mineiro, filho do nosso saudoso vice-presidente José Alencar. Assim como temos também o ex-procurador geral da Justiça Jarbas Soares. São dois nomes que estão filiados ao PSB.
Ao comentar sobre o escândalo do banco Master envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival de Lula na pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Pacheco disse também ter uma boa relação com o parlamentar da oposição e disse que ele não pode ser julgado antecipadamente.
– É preciso garantir a todas as pessoas, inclusive ao senador Flávio Bolsonaro, o direito de defesa, contraditório, o devido processo legal, a presunção de não culpabilidade. Isso se aplica a ele e a qualquer cidadão. Não vou me permitir fazer qualquer tipo de exploração midiática ou política de algo que precisa ser suficientemente explicado.
As declarações foram dadas durante um evento do Lide realizado em São Paulo.
Decisão dos EUA que classificou facções como terroristas
O ex-presidente do Senado também criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas
– Eu não considero que seja uma decisão acertada, ao contrário, considero equivocada. Caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os Estados Unidos para ajudar a combater às organizações criminosas. Considero que essa classficação não é necessariamente uma ajuda.
Pacheco disse que a decisão “banaliza o conceito de terrorismo”.
– Quando se classifica essas organizações criminosas como terroristas isso acaba banalizando o conceito de terrorismo e não resolvendo o problema das organizações criminosas.
