Ouvir é a excelência da sabedoria
Eclesiaste 3:1
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”.
Nada melhor do que um dia após o outro, ensina o adágio.
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos o coração sábio”, reflete a sabedoria bíblica.
Há um fio invisível que une essas vozes: a nossa capacidade — ou incapacidade — de ouvir. Ouvir de verdade. De captar o sentido escondido nas entrelinhas da vida, de perceber o cenário que se forma em cada estação, como versos que se revelam pouco a pouco.
Quando o Senhor estabelece princípios sólidos para a sociedade hebraica, em Deuteronômio 6, Ele não começa exigindo força nem desempenho, mas algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundo: ATENÇÃO - “Ouve, pois, ó Israel...” (v. 3).
No fundo, tudo depende disso!
Só os humildes conseguem ouvir.
Só os que têm sede de uma vida mais equilibrada e harmônica acolhem essa voz que orienta.
São os cansados de tropeçar nos mesmos obstáculos, desejosos de vitórias — ou, ao menos, de alívio para suas dores — que se permitem escutar essa voz suave, firme e fraterna.
Em contraste, há os “fortes”. Aqueles que, iludidos por um saber que infla, sentem-se livres e superiores, sem perceber que estão, na verdade, aprisionados em si mesmos. A estes, sempre que possível, vale apontar para o capítulo 3 do sábio — esse verdadeiro compêndio dos ritmos da vida.
Mas é preciso lembrar: não há mágica!
Nada se transforma sem decisão.
A sabedoria não se impõe — ela se oferece.
Só há florescimento onde existe disposição para ouvir. Porque, no fim das contas, é nesse gesto simples e profundo que começa toda vida verdadeiramente sábia.
