Oscar 2026: relembre filmes brasileiros que já foram indicados ao prêmio
O Oscar 2026 se aproxima e com ele vêm as expectativas quanto aos possíveis novos prêmios que o Brasil pode receber. Depois de ganhar a primeira estatueta no ano passado, quando “Ainda Estou Aqui” venceu por Melhor Filme Internacional, espera-se que “O Agente Secreto” siga fazendo história na premiação neste domingo (15).
Neste ano, o longa, protagonizado por Wagner Moura e dirigido por Kléber Mendonça Filho, contabiliza quatro indicações: Melhor Filme (a categoria mais importante do prêmio), Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura. Ele se iguala ao recorde anterior de indicações de “Cidade de Deus”, em 2004.
Esta também é a sexta vez que o Brasil é indicado na categoria de Melhor Filme Internacional. Antes de “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”, os longas que disputaram foram “O Pagador de Promessas” (em 1963), “O Quatrilho” (em 1996), "O que é isso, companheiro?" (em 1998) e "Central do Brasil" (em 1999).
Além do filme de Kleber Mendonça Filho, o brasileiro Adolpho Veloso também concorre ao Oscar de Melhor Fotografia por “Sonhos de Trem”.
Confira quais são as produções brasileiras que já foram indicadas:
Música "Rio de Janeiro", do longa "Brazil" — Melhor Canção Original
O compositor Ary Barroso foi o primeiro brasileiro a receber uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Canção Original, com a música "Rio de Janeiro", para o filme “Brazil” (1944). Embora a produção seja norte-americana, foi o músico brasileiro que recebeu a indicação. O desenvolvimento do longa fez parte de uma estratégia de aproximação entre Brasil e EUA durante a Segunda Guerra Mundial, o que rendeu a criação do personagem Zé Carioca pela Disney.
Disponível no Youtube.
Poster de 'Brazil' (1944)
Divulgação
“Orfeu Negro” — vencedor em Melhor Filme Internacional pelos franceses
De 1959, o longa é uma coprodução entre Brasil, Itália e França, dirigido pelo cineasta francês Marcel Camus. No Oscar de 1960, venceu na categoria de Melhor Filme Internacional. Embora tenha sido inteiramente filmado no Brasil e seja todo falado em português, o longa representou a França na premiação, devido à nacionalidade do diretor.
Disponível no Youtube.
Cena de 'Orfeu Negro' (1959)
Reprodução
“O Pagador de Promessas” — indicado a Melhor Filme Internacional
Na edição de 1963, o filme “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte, foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (atualmente chamada de Melhor Filme Internacional). A produção, que se tornou um grande clássico do cinema brasileiro, continua sendo aclamada até os dias de hoje. A trama acompanha a história de Zé do Burro (Leonardo Villar), um homem simples que faz uma promessa pela saúde de seu animal, um burro, que se salva milagrosamente. Em cumprimento à promessa, Zé do Burro precisa carregar uma pesada cruz nas costas até a cidade de Salvador, cerca de 42 km de sua cidade natal.
Disponível no Globoplay.
Cena de 'O Pagador de Promessas' (1962)
Reprodução
“Raoni” — indicado a Melhor Documentário
A coprodução entre Brasil, França e Bélgica foi indicada ao Oscar de Melhor Documentário na edição de 1979. Dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha, o longa narra a luta do cacique Raoni pela preservação dos territórios indígenas.
Disponível no Youtube.
'Raoni' foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 1979
Divulgação
“O Beijo da Mulher-Aranha” — Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado
O longa américo-brasileiro, dirigido por Héctor Babenco, argentino naturalizado no Brasil, recebeu indicações em quatro categorias no Oscar de 1986: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado. A produção venceu na categoria de Melhor Ator, com William Hurt. No entanto, perdeu a estatueta de Melhor Filme para o drama estadunidense “Entre Dois Amores” (“Out of Africa”).
Disponível na Amazon Prime.
Cena de 'O Beijo da Mulher-Aranha'
Reprodução
“O Quatrilho” — Melhor Filme Internacional
A produção de Fábio Barreto foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 1996. Com um elenco formado por Glória Pires, Patrícia Pillar, Bruno Campos e Alexandre Paternost, a trama se passa nos anos 1910, em uma comunidade rural no Rio Grande do Sul. A vida tranquila dos dois casais é transformada quando dois dos personagens se apaixonam pelos parceiros um do outro.
Disponível no Globoplay e na Amazon Prime.
Cena do filme "O Quatrilho".
Reprodução
“O Que É Isso, Companheiro?” — Melhor Filme Internacional
Baseado no livro homônimo do jornalista Fernando Gabeira, o filme foi indicado à estatueta de Melhor Filme Internacional em 1998. Assim como “Ainda Estou Aqui”, a produção conta com as atuações de Fernanda Torres e Selton Mello, além de Pedro Cardoso e Luiz Fernando Guimarães. O longa é reconhecido como um dos melhores a retratar a ditadura militar no Brasil, tema que também é abordado nas produções de Walter Salles e Kleber Mendonça Filho.
Disponível no Mubi e na Amazon Prime.
Cena de 'O Que É Isso, Companheiro?' (1997)
Reprodução
“Central do Brasil” — Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz
Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e com Fernanda Montenegro indicada a Melhor Atriz, “Central do Brasil” tem direção de Walter Salles, também responsável por “Ainda Estou Aqui”. O filme narra a história de Dora, uma ex-professora que passa a escrever cartas para pessoas analfabetas na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua vida ganha um novo rumo quando ela encontra Josué, um menino que perdeu a mãe e agora busca pelo pai, que nunca conheceu.
Fernanda Montenegro perdeu a estatueta para Gwyneth Paltrow, que venceu por “Shakespeare Apaixonado”. Mais de duas décadas depois de sua indicação, a atriz celebrou em 2025 a indicação da filha, Fernanda Torres, que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Atriz.
Disponível no Globoplay, na Netflix e na Amazon Prime.
Cena do filme 'Central do Brasil'.
Reprodução
“Uma História de Futebol” — Melhor Curta Live-Action
Em 2001, o Brasil teve seu primeiro curta-metragem em live-action indicado ao Oscar. Dirigido por Paulo Machline, o filme narra episódios da infância do “Rei do Futebol”, o Pelé, contados por um amigo de infância. A obra inspirou o livro infantil homônimo, escrito por José Roberto Torero, que também assina o roteiro ao lado de Maurício Arruda e Paulo Machline.
Disponível no Youtube.
Cena de 'Uma História de Futebol', primeiro curta-metragem brasileiro em live-action a ser indicado ao Oscar.
Reprodução
“Cidade de Deus” — Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia
O Oscar de 2004 marcou a primeira vez que um longa brasileiro recebeu indicações em quatro categorias. Apesar de não ter sido indicado na categoria de Melhor Filme Internacional, o clássico de Fernando Meirelles, “Cidade de Deus”, é um dos filmes brasileiros mais conhecidos e aclamados internacionalmente. A trama retrata a realidade de violência da favela carioca e segue a história de Buscapé, um jovem morador da comunidade que busca uma saída para sua vida em meio à criminalidade ao seu redor.
Disponível no Globoplay, Netflix, HBO MAX, Amazon Prime e Paramount+.
Cena do filme 'Cidade de Deus'
Reprodução
“Lixo Extraordinário” — Melhor Documentário
O documentário Lixo Extraordinário acompanha o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz no Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário da América Latina na época. O filme não só retrata o processo de criação das obras de arte feitas com lixo, mas também a história de catadores que se tornaram parte fundamental das obras. A produção, dirigida pela cineasta Lucy Walker, foi indicada à estatueta de Melhor Documentário em 2011.
Disponível no Youtube.
Capa do documentário 'Lixo Extraordinário'
Divulgação
Música "Real in Rio" — Melhor Canção Original
Para o filme “Rio” (2011), os músicos Carlinhos Brown e Sérgio Mendes compuseram a música “Real in Rio”, que acompanha a chegada de Blu, a ararinha-azul vinda de Minnesota (EUA) ao Rio de Janeiro. A canção foi indicada ao prêmio de 2012 na categoria de Melhor Canção Original, mas acabou perdendo para a balada “Homem ou Muppet” (“Man or Muppet”), de “Os Muppets”.
Disponível na Disney+
Cena de 'Rio' de 2011
Reprodução
“O Sal da Terra” — Melhor Documentário
Indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2015, “O Sal da Terra” é uma coprodução entre Brasil, França e Itália que acompanha a vida e obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, sob a direção de seu filho, Juliano Salgado. O prêmio foi para “CitizenFour”, de Laura Poitras, documentário que expôs o vazamento de segredos do governo dos Estados Unidos por Edward Snowden.
Disponível na Amazon Prime e Apple TV.
Cena do documentário 'O Sal da Terra'
Divulgação
“O Menino e o Mundo” — Melhor Animação
A produção “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, foi a primeira animação brasileira a ser indicada ao Oscar na categoria de Melhor Animação. Indicada em 2016, a história acompanha um menino que, ao ver seu pai partir para a cidade grande em busca de trabalho, decide fazer as malas e ir atrás dele, querendo conhecer esse novo mundo. Ao longo da jornada, ele se depara com a realidade da pobreza e da exploração de trabalhadores.
Disponível no Globoplay.
Cena do filme "O Menino e o Mundo", que foi indicado ao Oscar em 2016
Reprodução
“Democracia em Vertigem” — Melhor Documentário
Em 2020, a produção “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, foi indicada ao prêmio de Melhor Documentário. O filme retrata a ascensão da extrema-direita no Brasil, com foco no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e perdeu para "American Factory", dos EUA.
Disponível na Netflix.
Cena do filme "Democracia em Vertigem"
Reprodução
“Ainda Estou Aqui” — Melhor Filme, Melhor Atriz e venceu como Melhor Filme Internacional
Estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, o filme é o primeiro brasileiro a vencer uma estatueta do Oscar. O prêmio veio pela categoria Melhor Filme Internacional, disputada com “Emilia Pérez”, da França, “A Semente do Fruto Sagrado”, da Alemanha, “A Garota da Agulha”, da Dinamarca, e “Flow”, da Letônia.
O filme, dirigido por Walter Salles, também concorreu a Melhor Atriz, com Fernanda Torres, e Melhor Filme. Essa foi a primeira vez que um longa brasileiro foi indicado na principal categoria da premiação.
“Ainda Estou Aqui” conta a história do desaparecimento de Rubens Paiva (interpretado por Mello) durante a ditadura militar e a luta de sua esposa, Eunice Paiva (feita por Fernanda), para o reconhecimento do estado da morte do marido.
Disponível no Globoplay e na Amazon Prime.
Cena da sorveteria em 'Ainda Estou Aqui', de Walter Salles, com Fernanda Torres.
Divulgação
