Oscar 2026: mesmo sem prêmio, cinema brasileiro ganha espaço internacional, avalia especialista

 

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O filme "Uma Batalha Após a Outra" foi o grande vencedor do Oscar 2026, conquistando seis estatuetas, entre elas as de melhor filme, roteiro adaptado, edição e direção de elenco. Na sequência, "Pecadores" também se destacou, com quatro vitórias.

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No entanto, a expectativa brasileira não se confirmou. O longa "O Agente Secreto", que concorria a cinco categorias, deixou a cerimônia sem prêmios. Em entrevista ao Jornal da CBN, Aline Pereira, editora-chefe do AdoroCinema, explica que o resultado seguiu a lógica de uma temporada marcada por concorrentes fortes. De acordo com ela, muitos vencedores já apareciam como favoritos desde o início das premiações que antecedem o Oscar.

"Ainda havia alguma esperança de que a categoria de elenco, que é uma categoria inédita, pudesse favorecer o filme [O Agente Secreto], já que não havia histórico para avaliar. A gente tinha esperança de que pudesse ganhar, mas foi um ano em que Uma Batalha Após a Outra, que levou o prêmio de melhor filme, chegou muito forte em outras categorias também, e isso acabou atrapalhando, infelizmente, o desempenho do nosso Agente Secreto."

Entre os resultados considerados previsíveis está a vitória de Jessie Buckley, premiada por sua atuação em "Hamnet". A atriz vinha acumulando prêmios ao longo da temporada. Já na categoria de direção, havia expectativa de reconhecimento para a diretora de "Hamnet", mas o prêmio ficou com Paul Thomas Anderson, diretor de 'Uma Batalha Após a Outra".

"É triste, porque a gente tem pouquíssimas mulheres diretoras indicadas na história do Oscar. A Chloe Zhao, que é uma excelente diretora, foi uma das primeiras (...) Mas, como eu falei, este ano Uma Batalha Após a Outra veio se destacando desde o começo da temporada, desde a sua estreia. O Paul Thomas Anderson é uma figura muito querida em Hollywood, com muito prestígio e um longo histórico. Então, é difícil que, quando um filme dele aparece, o filme saia de mãos abanando."

Mesmo sem prêmios, Aline Pereira avaliou que o cinema brasileiro mantém um momento positivo. Para ela, as recentes indicações ao Oscar e a presença em festivais internacionais representam um reconhecimento importante para a produção nacional e podem ampliar oportunidades para novos cineastas e projetos.

"É um grande reconhecimento, uma porta muito grande e aberta para o nosso cinema, que pode incentivar outros cineastas, novos atores e novos artistas, além de fomentar políticas públicas. Essa expansão da nossa fronteira é muito importante, além de levar a nossa cultura, que é tão diversa, tão rica e tão bonita, para o resto do mundo conhecer, porque a gente sabe o quanto é boa."