Oscar 2026: como o glow natural das famosas virou protagonista no tapete vermelho
Durante anos, o glamour do Oscar se mediu por vestidos monumentais, maquiagens estruturadas e efeitos dramáticos. Em 2026, no entanto, uma mudança silenciosa, mas impactante, se consolida: a pele passou a ser a estrela do tapete vermelho. A tendência que domina o visual das celebridades é a chamada "no-makeup make-up", marcada por cobertura leve, texturas naturais e hidratação intensa.
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"O resultado é uma estética que valoriza a pele real, com luminosidade e naturalidade, em vez de esconder textura ou sinais do tempo sob camadas espessas de base", explica o dermatologista Abdo Salomão Jr., membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Essa estética "indetectável" privilegia o cuidado ao invés da transformação. Celebridades indicadas neste ano, como Emma Stone e Kate Hudson, ilustram o conceito: o look é elegante, discreto e mantém a identidade facial.
"Existe uma tendência de parecer que não fez nada, que o envelhecimento seguiu seu curso naturalmente, mas foi associado a um bom cuidado com a pele", destaca Beatriz Lassance, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). "Hoje, ninguém tem muito interesse em mostrar para as pessoas que foi feito um procedimento estético. As pessoas querem só mostrar que elas estão bem", acrescenta a cirurgiã Heloise Manfrim, também membro titular da SBCP.
Nos bastidores, a tendência se traduz em estratégias que vão da dermatologia avançada a cirurgias plásticas modernas, todas focadas em um rejuvenescimento natural. Entre os destaques, está a chamada "dose Hollywood" do Roacutan, responsável pelo famoso glow das celebridades.
"A expressão 'dose Hollywood' refere-se à prática de microdosagem de isotretinoína (ou 'low dose'), com uso prolongado, com objetivo não apenas de tratar acne, mas de manter a pele com mais glow, com poros reduzidos e menos oleosidade. É uma estratégia que tem sido especialmente adotada por celebridades ou pessoas que já estão com a pele relativamente boa. Nesse modelo, usa-se uma fração da dose tradicional por um período estendido (em alguns protocolos, por 18 a 24 meses). A ideia é reduzir os efeitos colaterais comuns das doses mais altas, como ressecamento acentuado, elevação de enzimas hepáticas e sensibilidade cutânea", explica a dermatologista Flávia Brasileiro, membro da SBD.
Apesar dos benefícios, Dra. Flávia reforça que nem sempre o medicamento é necessário: "Em muitos casos, os ganhos estéticos desejados podem ser obtidos (ou superados) por meio de tecnologias não farmacológicas, com perfil de risco mais controlado". Entre elas, destacam-se procedimentos como o laser Fotona, Ignite RF e Hydrafacial, que melhoram textura, estimulam colágeno e promovem luminosidade de forma segura. "É como se fosse um detox para a pele, o que ajuda na clareza óptica, com menos opacidade e mais brilho", detalha a médica.
A maquiagem, agora, apenas revela o que já está impecável. Por isso, tecnologias dermatológicas modernas ressuscitaram procedimentos como o Hollywood Laser Peel, agora aprimorado com lasers de picossegundos, como o Quadri Pico. "Quadri Pico é uma tecnologia que atua em pulsos extremamente rápidos para estimular renovação celular e melhorar textura, manchas e brilho da pele", diz o Dr. Abdo.
O conceito de naturalidade também se estende à cirurgia plástica facial. Lifting faciais evoluíram para resultados discretos, que rejuvenescem sem o aspecto "esticado". "A primeira transformação radical nas técnicas apareceu com o lifting facial, em técnicas como Deep Plane Facelift", conta o cirurgião Dr. Paolo Rubez, membro da SBCP. "As técnicas atuais permitem um rejuvenescimento muito grande e natural para o rosto, pois tratam de forma pontual todas as camadas que apresentam envelhecimento, da superfície ao músculo. Outro ponto importante é que o resultado se mantém por mais tempo já que o rosto foi tratado de maneira global", complementa.
Segundo a Dra. Heloise, a sinergia entre procedimentos minimamente invasivos e cirurgias é essencial. "Basicamente, as mudanças também estão nos procedimentos minimamente invasivos. Os pacientes querem melhorar a qualidade da pele sem a necessidade de esticar tanto os tecidos, mas também nos procedimentos cirúrgicos visamos reposicionar os tecidos sem de fato ter aquele estigma de uma cirurgia plástica", observa. "No corpo isso também acontece. As pacientes entendem que as cirurgias vão entregar esse rejuvenescimento sutil, com envelhecimento saudável sem a necessidade de parecer anos mais novas", relata Carlos Manfrim, membro da SBCP.
O dermatologista Renato Soriani reforça a importância da manutenção ativa pós-cirurgia. "Atualmente, pacientes que passam por procedimentos cirúrgicos como o deep plane facelift ou lifting endoscópico já iniciam o planejamento com a intenção de preservar e potencializar os resultados por meio de recursos dermatológicos complementares. Tecnologias como o ultrassom microfocado, bioestimuladores de colágeno e lasers fracionados são frequentemente utilizadas, mas hoje avançamos para um novo patamar, com recursos regenerativos autólogos como o uso de exossomos derivados do próprio paciente, microenxertia de gordura (como no protocolo Lipoglow) e radiofrequência microagulhada com inteligência térmica", esclarece.
"Essas abordagens não apenas mantêm o efeito lifting como também promovem reparo tecidual, equilíbrio da espessura dérmica e qualidade global da pele. O paciente contemporâneo entende que a longevidade dos resultados está diretamente ligada à manutenção ativa e constante da saúde cutânea", enfatiza.
Entre lasers, tecnologias regenerativas e cirurgias sofisticadas, a mensagem do tapete vermelho é clara: a pele bem cuidada é a protagonista, enquanto os procedimentos atuam discretamente nos bastidores. Mas o Dr. Renato faz uma ressalva: "A orientação deve sempre reforçar que envelhecer é um processo natural e inevitável, e que o objetivo da medicina estética não é apagar o tempo, mas suavizar sua passagem com saúde, beleza e autenticidade".
