Os registros de quem esteve em Jaguaré horas depois da explosão

 

Fonte:


Na tarde desta segunda-feira (11), uma explosão deixou rastros de destruição no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo. As consequências, físicas e emocionais, ainda são difíceis de calcular. Até o momento, uma pessoa morreu, três ficaram feridas e ao menos 35 imóveis foram atingidos.

Ontem (12), a fotojornalista do GLOBO Maria Isabel Oliveira esteve no local para registrar como a região amanheceu após o acidente. Entre moradores abalados, casas destruídas e cobranças por respostas, ela acompanhou o clima de tensão e incredulidade que ainda domina o bairro. Confira o relato:

O acidente também destruiu ao menos dez casas, afetou outras 35 residências e um prédio vizinho

Maria Isabel Oliveira / O Globo

"Quando cheguei ao local, na manhã de terça-feira, os nervos dos moradores ainda estavam inflamados, mas a situação parecia mais tranquila. A Sabesp havia se pronunciado, mas ainda sem respostas concretas para a população local.

Repórteres, cinegrafistas e moradores disputavam espaço para acompanhar a coletiva. Em determinado momento, moradores começaram a gritar, dizendo que aquele era o espaço deles e que não adiantava a empresa fazer cena apenas para a imprensa".

Acidente aconteceu na comunidade Jaguaré, na Zona Oeste da capital

Maria Isabel Oliveira / O Globo

Ao se afastar da coletiva, Maria decidiu procurar personagens que traduzissem o impacto humano da tragédia. Foi assim que encontrou Edmilson e Edna, dois moradores que escaparam por segundos de serem atingidos pelos destroços.

"Encontrei primeiro o Sr. Edmilson, que foi muito solícito ao abrir as portas de sua casa, atingida nos fundos pela explosão. Ele contou que ficou surdo por alguns minutos e acredita que só não se feriu gravemente porque estava deitado na cama. Se estivesse em pé, provavelmente teria sido atingido.

Edmilson Marques, de 60 anos, em frente aos escombros deixados pela explosão no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo

Maria Isabel/O Globo

Depois conheci Edna, ainda assustada, mas consciente da sorte que teve. A cozinha da casa dela ficou parcialmente destruída, mas ela dizia ter vivido um milagre. Contou que entrou no banheiro apenas segundos antes da explosão. Se tivesse permanecido do lado de fora, poderia ter sido atingida, assim como aconteceria com o Sr. Edmilson.

Minha percepção, diante de tudo isso, foi sobre a sorte que Edna, Edmilson e outros moradores tiveram. Muitos não estavam em casa no momento da explosão. Se mais pessoas estivessem dentro de suas casas, certamente o número de mortos teria sido muito maior.”

Edina Rosendo, de 40 anos, dentro de casa após a explosão no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo

Maria Isabel / O Globo

Galerias Relacionadas