Os recados de Galípolo sobre o prazo limite de 29 de maio para o BRB solucionar seus problemas

 

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Apesar do prazo de 29 de maio ser visto como um limite para o BRB resolver seus problemas, o Banco Central está dando um sinal de que está mais preocupado com as condições estruturais e a solução das dificuldades da instituição brasiliense do que propriamente com essa data. O recado foi dado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, nos últimos dois dias.

O primeiro foi na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na terça-feira, quando ele disse que banco não é “iogurte, que tem prazo de validade” e que uma instituição é liquidada por não cumprir requisitos e não atender certas condições de liquidez (recursos disponíveis para honrar seus compromissos).

A segunda vez foi nessa quarta, quando recebeu deputados de esquerda para tratar da situação do BRB. A mensagem foi na mesma direção. O prazo definido pelo BRB não é o que define quando o BC vai agir.

A mensagem pode ser lida como uma possibilidade de a instituição distrital ganhar tempo para, por exemplo, conseguir obter recursos para o aumento de capital e solucionar seus problemas patrimoniais. Mas também não impediria o BC de agir antes disso, caso entenda que o banco perdeu as condições de seguir.

Por ora, parece ser o primeiro caso. Como a repórter Thais Barcellos mostrou na semana passada, o time liderado por Galípolo não vê risco relevante para o sistema financeiro em uma eventual liquidação do banco, mas teme severos impactos econômicos no Distrito Federal. Nos bastidores do BRB, fala-se que o fim do banco significaria um retrocesso de PIB ao nível de dez anos atrás. Essa mensagem de preocupação com a economia local também foi expressa por Galípolo aos parlamentares nessa quarta, disseram interlocutores.

Apesar do BC não estar apegado ao prazo do fim do mês, o BRB segue trabalhando com esse cronograma, a despeito da persistência das dificuldades para resolver seus problemas patrimoniais. O empréstimo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), principal aposta para capitalizar a instituição, segue sem uma definição, dada a falta de disposição do governo federal em se colocar como avalista da operação.

Nesse sentido, os parlamentares ligados ao governo federal, como a deputada Érika Kokay (PT-DF), pretendem discutir o tema com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que acabou de voltar de viagem internacional. Há uma leitura de que o pedido de ajuda feito pela governadora Celina Leão foi jogo de cena porque não tinha as informações necessárias para que a proposta efetivamente vá adiante.

Na ausência de uma solução para esse empréstimo, outras possibilidades estão na mesa, como a questão da securitização (venda dos direitos) da dívida ativa do DF. Mas a estruturação disso pode demorar mais tempo.

Independentemente do prazo de 29 de maio não ser um limite para o Banco Central, fato é que a situação do BRB é grave e demanda uma solução o mais rápido possível. Afinal, banco vive de confiança e, quanto mais tempo sem balanço, mais difícil será convencer correntistas e investidores a manterem seus recursos na instituição. E as alternativas para superar uma nova crise de liquidez, como as que ocorreram no fim do ano passado e mais de uma vez nesse ano, vão se esgotando.