'Os outros', no Globoplay: mudança para região rural é um dos grandes acertos da nova temporada
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A sensação de opressão e de confinamento sempre esteve na origem e na essência de “Os outros”. A série chega agora à terceira temporada seguindo a mesma trilha, sem descaracterizações. A fricção entre vizinhos e um mal-estar típico da iminência de uma explosão continuam puxando a trama.
Os novos episódios da história, criada por Lucas Paraízo e com direção artística de Luísa Lima, estão no Globoplay e merecem toda a sua atenção.
Em 2023, acompanhamos a escalada de conflitos num condomínio de classe média baixa da Barra da Tijuca. No ano seguinte, um outro microcosmo passou a ambientar o enredo: uma área mais próspera do bairro. A violência subiu alguns degraus até que acabou em morte. Agora, o roteiro de Paraízo encontrou uma solução narrativa para escapar da repetição e se deu bem: o thriller se passa numa área rural. Ótima ideia.
Elenco de Os Outros
Julia Mataruna
Há novos personagens e paisagens desconhecidas. O repertório simbólico se abre — surgiram animais, estradas de terra e vilarejos. “Os outros” também dialoga com histórias já conhecidas do espectador. Os “mundos suspensos” onde a tensão evolui nas três temporadas são conectados. A ideia do arco dramático maior está preservada. Seguimos Cibele (Adriana Esteves) e Marcinho (Antônio Haddad). Eles reaparecem longe da cidade, viajando de carro, num esforço de recomeçar a vida com identidades falsas. Tentam ainda escapar de um acerto de contas pela morte de Sérgio (Eduardo Sterblitch). Tavares (Cadu Favero) está no encalço dos dois: quer reaver o dinheiro do cassino clandestino. É acidentalmente (vou evitar o spoiler) que conhecem Marta (Mariana Lima) e Roberto (Lázaro Ramos).
O casal acaba de se instalar numa casa recém-comprada e também busca uma vida nova. Logo somos apresentados aos caseiros, Patrícia (Carol Duarte) e Geraldo (Pedro Wagner), que vivem ali pertinho e cuidam do pai doente, Homero (Paulo Goya). No terreno vizinho moram Domingas (Docy Moreira) e o filho dela, Diego (Adanilo). Finalmente, conhecemos o dono da venda, Manoel (Bruno Garcia), mais uma figura-chave nos conflitos que a temporada apresenta.
O elenco é integralmente de talentos. Todos os atores citados têm boas cenas e constroem personagens críveis. A direção, entretanto, aposta num tom acima do necessário. Mais emoção e menos cálculo fariam bem à série. Os diálogos bem escritos ajudam a compensar os eventuais maneirismos e pausas artificiais. Certos exageros, como as sequências do atropelamento de um ganso, em vez de ajudarem a contar a história, parecem ingredientes dramáticos excessivos e fazem pensar num conto de terror. Por outro lado, a fotografia bonita e as locações, bem escolhidas ajudam a tornar o conjunto orgânico e carregado de verdade.
“Os outros” é uma das boas produções da dramaturgia do Globoplay e não subestima a inteligência do espectador.
