'Os meninos': entenda o que fazia grupo ligado a Vorcaro que realizava ataques cibernéticos

 

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Investigação da Polícia Federal que culminou em uma operação nesta quinta-feira aponta que havia dentro da organização criminosa integrada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um núcleo chamado “Os Meninos”, que seria o braço tecnológico do grupo. Esta fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros envolvendo o Master, busca aprofundar as investigações em face de organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos.

Segundo a representação da PF citada na decisão, a investigação identificou dois núcleos operacionais complementares. O primeiro, chamado “A Turma”, seria voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais. O pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso nesta quinta-feira por suspeita de ser o operador financeiro da 'Turma'.

Já “Os Meninos” teria perfil eminentemente tecnológico e seria responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal. Segundo apuração, os hackers contratados recebiam R$ 75 mil por mês para promover ataques e invasões cibernéticas.

Conforme decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ambos os grupos eram gerenciados por Luiz Phillipe Mourão, conhecido como “Sicário”, e atuavam para atender comandos do núcleo central da organização investigada. A representação afirma que as atividades ilícitas teriam persistido mesmo após as fases anteriores da Operação Compliance Zero, além de apontar a identificação de novos integrantes e um maior detalhamento da divisão interna de tarefas.

Ainda segundo o documento, o núcleo “A Turma” contou com a participação de policiais federais da ativa e aposentados, além operadores do jogo do bicho. Já “Os Meninos” reunia agentes com perfil hacker, remunerados para executar invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.

A decisão cita ainda o investigado David Henrique Alves como suposto líder do núcleo “Os Meninos”. Segundo a Polícia Federal, ele era remunerado por Felipe Mourão com valor mensal aproximado de R$ 35 mil. Conforme apuração, ele foi identificado conduzindo um veículo de Felipe Mourão na noite de 4 de março de 2026 e transportando computadores, notebooks, caixas e malas.

O episódio foi interpretado pela PF como indicativo de fuga e de possível ocultação ou destruição de provas. A data coincide com a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, quando Daniel Bueno Vorcaro e Felipe Mourão foram presos preventivamente.

Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro disse que a decisão "se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele". "O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje", dizem os advogados.