Orquestra Sinfônica de Duque de Caxias faz 10 anos de sucesso na Baixada

 

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Violinos, flautas, oboés, trompas, saxofones, tubas, clarinetes, trombones e tantos outros instrumentos formam o som do parabéns da Orquestra Sinfônica de Duque de Caxias, a Osduque, que comemora sua primeira década. E chegar tão longe, de forma independente, sem contar com apoio financeiro, é especial.

O diretor artístico e violinista Sadraque Dias, de 43 anos, sempre trabalhou com música, produção e administração. Trabalhei na Orquestra Sinfônica Brasileira, entre 2010 e 2015, até que, com a grande crise enfrentada pela OSB, ficamos sem ter uma orquestra jovem no Rio de Janeiro”, conta ele, que tomou para si a árdua missão de preencher essa lacuna. Por que em Duque de Caxias? “Porque eu moro e cresci aqui e porque a Baixada Fluminense não tinha uma orquestra sinfônica consolidada”, diz.

Assim, em 2016, nasceu a Osduque, que começou com 30 músicos, ensaiando na garagem na casa de um deles, em uma comunidade. Desde então, por falta de investimento, a orquestra passou por muitos altos e baixos. Atualmente, conta com 40 músicos, entre 14 e 24 anos, as dificuldades financeiras, no entanto, não acabaram.

“Tivemos dificuldade de acesso à Lei Rouanet, mas, em 2023, firmamos parceria com o Firjan Sesi daqui e conseguimos uma estrutura melhor para ensaiar. Agora, estamos correndo atrás de fazer a captação de recursos”, explica Sadraque, que, como os outros músicos, muitas vezes investe o próprio dinheiro para produzir as apresentações. E a resposta do público vem: os concertos costumam acontecer com casa cheia.

A Osduque abriga grandes talentos, como o flautista Matheus Moura, de 20 anos, que deixou a orquestra de sua cidade por um bom motivo. Ele ganhou uma bolsa para estudar música na Southeast Missouri State University, em Missouri, nos Estados Unidos.

— Eu não tinha experiência com essa formação de grupo orquestral, era mais acostumado com banda sinfônica, mas orquestras sempre me fascinaram. Quando fui apresentado para a Osduque, que ainda leva o nome da minha cidade, tinha que estar lá. Ter a oportunidade de fazer um solo na Igreja da Candelária foi um marco para mim, uma apresentação emocionante. Espero que a orquestra mantenha a mesma dedicação e continue elevando o nível — diz ele.

Diante de diversas dificuldades, a sensação de comemorar 10 anos é de vitória. “É um momento heróico para mim e para os 40 músicos que seguem”, diz Sadraque.

Sonhos maiores

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela orquestra, Sadraque quer fazer mais pela cultura clássica na Baixada. “A gente quer ter um balé e uma ópera aqui, para o público da Baixada Fluminense. A gente acredita em democratizar o acesso à arte, mas, por enquanto, estamos nos esforçando para melhorar as condições da OSDUQUE”, diz o diretor artístico.