Orla da Zona Sul lidera uso de patinetes elétricas no verão; locações cresceram 40% no Rio

 

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O uso de patinetes elétricas cresceu 40% no Rio durante alta temporada de verão, entre dezembro e fevereiro, principalmente na Zona Sul. Os dados são da Whoosh, empresa que opera os equipamentos na cidade, e indicam uma mudança no perfil das viagens: nesta época, rotas associadas a deslocamentos cotidianos, como ida e volta do trabalho, perderam espaço para as viagens de lazer, sobretudo na orla.

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Segundo a empresa, a operação na capital fluminense já ultrapassou a marca de 3 milhões de viagens desde o início das atividades, em 2024. No período de verão, houve aumento da circulação principalmente em bairros como Copacabana, Ipanema e Leblon, áreas que concentram grande fluxo de turistas e atraem moradores de diferentes regiões da cidade durante a estação mais quente do ano.

De acordo com a empresa, que no Rio também atua no Centro, no Maracanã e na Tijuca, os deslocamentos realizados nesta época na Zona Sul têm, em média, cerca de dois quilômetros, distância que costuma conectar hotéis, restaurantes e praias.

Diretor de operações da Whoosh no Brasil, Cadu Souza afirma que a micromobilidade tem sido usada como forma de tornar os trajetos mais previsíveis em áreas com grande fluxo de pessoas.

— No verão, o turista quer otimizar o tempo e ter a certeza de que chegará ao destino pelo caminho que escolheu. Ao optar pela micromobilidade, ele elimina esperas e ganha liberdade com um modal que é, ao mesmo tempo, previsível e sustentável — diz.

A empresa destaca ainda que os equipamentos são monitorados por GPS em tempo real e contam com sistemas de controle de velocidade e acompanhamento das rotas. As informações geradas pelos veículos permitem a produção de relatórios sobre padrões de deslocamento, que podem ser utilizados em estudos sobre mobilidade urbana. Parte destes dados serviu como base para a prefeitura estabelecer os termos da regulamentação do serviço na cidade, publicados ontem no Diário Oficial.

Expansão do serviço

Após determinar regras para o serviço, a prefeitura pretende trabalhar para levar a oferta do modal para outras regiões da cidade, chegando a pontos como o Parque Madureira e a a Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão. O decreto municipal de terça-feira também abre caminho para o credenciamento de outras empresas interessadas em explorar a atividade e, de acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, a expectativa é que a partir da semana que vem estas já possam se candidatar.

— Os novos operadores que se credenciarem vão precisar indicar outras regiões da cidade, além da Zona Sul e do Centro. Queremos dar atenção especial a lugares com grande circulação — diz.

Ainda de acordo com Lima, a oferta de patinetes elétricas foi resultado do Sandbox.Rio, um programa municipal voltado ao teste de soluções urbanas em ambiente controlado em parceria com empresas privadas, e, agora, após o projeto-piloto, o serviço ganha regulamentação definitiva. Dados reunidos pela Whoosh ao longo de 19 meses de operação experimental e analisados pela prefeitura mostram que neste período foram registradas mais de 2,9 milhões de viagens, com cerca de 972 mil usuários ativos e a geração de aproximadamente 230 empregos diretos e indiretos na cidade.

— O programa Sandbox.Rio nos permite compreender melhor as necessidades da cidade e testar soluções antes de transformá-las em políticas públicas permanentes. No caso das patinetes, conseguimos desenhar regras que estimulam o uso desse micromodal, mas priorizando a segurança de usuários e pedestres — diz Lima. — Não foi uma medida tomada de uma hora para outra. Precisávamos de uma análise mais detalhada, com um mapa de calor mais fiel do uso das patinetes. Nos fins de semana, por exemplo, elas são mais usadas na orla. Já nos dias úteis percebemos um fluxo maior entre as barcas e áreas do Centro. As patinetes são um equipamento público, não um brinquedo, e por isso tivemos essa preocupação.

Um edital de chamamento público deverá será lançado nos próximos dias e estará disponível no site da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. A gestão e a fiscalização do processo de credenciamento ficarão a cargo da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar).

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