Organizações e ativistas pedem que a Austrália mantenha as jogadoras da seleção iraniana no país

 

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Organizações humanitárias e ativistas instaram o governo da Austrália a dar asilo político às jogadoras da seleção feminina do Irã após um apresentador da TV estatal do Irã descrevê-las como “traidoras em tempo de guerra” que devem ser “tratadas com mais severidade”. O vídeo que circula nas redes sociais foi feito em razão de o time não ter cantado o hino iraniano durante a partida de estreia da Copa da Ásia contra a Coreia do Sul, na Austrália.

Na segunda partida, diante da Austrália, a seleção e a comissão técnica voltaram a cantar o hino nacional e fizeram a saudação típica. No domingo, elas disputam o último jogo da fase de grupos contra as Filipinas e devem retornar ao Irã caso não se classifiquem à próxima fase.

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Imagens compartilhadas na rede social X, nesta sexta-feira, mostraram o apresentador da televisão estatal iraniana Mohammad Reza Shahbazi acusando o time de desonra por não cantar o hino nacional antes da estreia contra as sul-coreanas na segunda-feira.

O jornalista iraniano radicado na Alemanha, Ali Bornaei, marcou a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, no X ao compartilhar o vídeo e pediu que o governo australiano ofereça proteção à equipe.

“As vidas das jogadoras da seleção feminina do Irã estão em perigo iminente. Após seu protesto pacífico na Austrália, a mídia ligada ao Estado iraniano as classificou oficialmente como "traidoras em tempo de guerra". No Irã, ‘traição" é um crime capital punível com morte. Essas atletas enfrentam detenção arbitrária e execução se forem obrigadas a voltar”, escreveu Bornaei.

O diretor-executivo do Conselho de Refugiados da Austrália, Paul Power, afirmou ao jornal britânico Guardian que “com base nas evidências disponíveis, parece que as integrantes da seleção feminina de futebol estariam em risco se retornassem”, lembrando que cidadãos iranianos envolvidos em protestos pacíficos sofreram consequências graves.

Power destacou que a Austrália ratificou a convenção internacional de refugiados justamente para situações como essa, mas o país não é obrigado a agir enquanto não houver um pedido formal de asilo.

— Todo esse sistema foi criado para proteger pessoas em circunstâncias como esta, mas no fim cabe aos próprios indivíduos decidir o que é melhor para eles e para as pessoas com quem têm vínculos — disse.