Organização do Bloco Carmelitas encerra desfile antes do horário por excesso de ambulantes

 

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O tradicional desfile do Bloco das Carmelitas, em Santa Teresa, criado em 1990, enfrentou sérios problemas de organização nesta sexta-feira devido à grande presença de ambulantes. A situação comprometeu a segurança do público e levou ao encerramento do cortejo duas horas antes do planejado. Segundo os responsáveis, essa seria a primeira vez em 36 anos que isso acontece.

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Segundo Rita Fernandes, presidente da Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro), o excesso de carrinhos de ambulantes bloqueou acessos e rotas de fuga, colocando foliões em risco.

Ambulantes e motoqueiros atrapalham cortejo do Bloco das Carmelitas, em Santa Teresa

— Todo mundo sabe que ambulantes com carrinhos atrapalham o bloco de rua. Hoje, a nossa maior preocupação é essa. A prefeitura precisa agir, senão teremos problemas muito sérios — alertou Rita.

São carrinhos com isopores de bebidas e até barracas de espetinho, a ponto de foliões se machucarem com o fogo usado no preparo dos alimentos. Em meio à aglomeração, o risco aumenta enquanto os vendedores avançam pela multidão e ocupam boa parte da via.

A psicóloga Larissa Oliveira, de 25 anos, que veio de Porto Alegre para aproveitar o carnaval no Rio, relata a dificuldade.

— Eu entendo que todo mundo quer vender, quer comprar. Só que fica uma muvuca, a gente não consegue andar. Eu já fui quase atropelada umas três vezes pelos ambulantes. Então acaba prejudicando quem está curtindo o carnaval de rua — diz a gaúcha.

Até os pés de foliões foram atropelados pelos carrinhos. Alguns comerciantes que estavam de bicicleta, não pensaram duas vezes antes de avançar no público, que se vê sem espaço. O publico presente afirmou que as saídas ficaram obstruídas e que havia risco iminente de acidentes, o que levou a organização a interromper o desfile.

Carrinhos de ferro atrapalham o cortejo do Carmelitas

Lívia Nani

— Só não tivemos um problema maior porque o bloco teve a prudência de parar e se desmobilizar — afirmou a presidente.

O cortejo, que partiu das ladeiras de Santa Teresa com destino ao Largo dos Guimarães, não conseguiu sequer alcançar o Curvelo. A Rua Almirante Alexandrino foi completamente tomada por uma multidão de foliões e ambulantes, travando o trajeto planejado.

Rita também criticou a ausência de fiscalização da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) e da Guarda Municipal, além de cobrar garantias de policiamento e controle para os próximos dias de carnaval.

— Estamos em pânico, sem saber como vai ser de amanhã em diante, qual será a atitude da Prefeitura. Isso já não está mais na mão do bloco — pontuou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) e a Guarda Municipal (GM) informou que realizaram ações de ordenamento e de orientação de trânsito em Santa Teresa durante o desfile do Bloco das Carmelitas.

Segundo a Prefeitura, aproximadamente 60 agentes atuaram na fiscalização de ambulantes, estacionamento irregular e demais irregularidades. E ressaltou que o Carnaval de Rua do Rio possui 15 mil vendedores ambulantes cadastrados. As ações de fiscalização no bairro serão intensificadas nos próximos desfiles.

No entanto, a prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre a falha na fiscalização durante o desfile, nem explicou a presença de ambulantes acima do limite permitido na região.