Orfeu vira ‘lenda’ do café e recebe hoje prêmio máximo da categoria ‘premium’ da bebida no mundo
A Orfeu Cafés Especiais recebe hoje o prêmio Legends of Excellence, título internacional vitalício, que é considerado a chancela máxima da cafeicultura premium em todo o mundo. É a segunda vez que uma marca brasileira da bebida mais consumida no mundo (com exceção da água) é reconhecida na premiação. A cerimônia de premiação acontece na cidade de San Diego, na Califórnia (EUA).
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Concedida pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), entidade internacional do setor, a honraria reconhece produtores com desempenho “notável e constante” na produção de cafés premium ao longo das edições do Cup of Excellence, concurso conhecido como o “Oscar dos cafés”. A Orfeu já foi finalista em 31 edições da competição.
O título concede às “lendas do café” um selo exclusivo que deve passar a estampar as embalagens. A Orfeu é a segunda marca brasileira a ser reconhecida como “lenda” da cafeicultura especial. No ano passado, o produtor Luiz Paulo Pereira, da Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, foi o premiado.
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Para Ricardo Madureira, CEO da Orfeu, esse reconhecimento internacional deve ajudar a promover o consumo de cafés premium no mercado interno, ainda dominado pelos selos tradicionais, de menor custo.
Os grãos são colhidos, principalmente, numa fazenda própria da empresa, a Sertãozinho, na cidade de Botelhos, no Sul de Minas Gerais, onde também são feitas a seleção dos grãos e a torrefação
Araquem Alcântara/Divulgação
— Acho que serve para que os brasileiros reencontrem o café para além desse produto que é tão da gente, o cafezinho do dia a dia. O café especial tem nuances sensoriais diferentes, pode ser mais achocolatado, ou com caramelo, ou também floral. Tem um mundo a ser explorado nas versões especiais — disse o executivo.
No cenário internacional, Madureira acredita que o reconhecimento do título brasileiro serve de vitrine, fortalecendo a visibilidade dos grãos brasileiros de alta qualidade. O Brasil é o maior produtor e o maior exportador do mundo — a produção nacional é o dobro do segundo maior, o Vietnã, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). E, historicamente, o Brasil sempre foi identificado com a quantidade e menos com a qualidade.
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— O título recebido pela Orfeu lança luz nisso. Existem muitos produtores brasileiros de altíssima excelência — afirmou Madureira.
Um diferencial da Orfeu é que a companhia tem todo o ciclo de produção internalizado. Os grãos são colhidos, principalmente, numa fazenda própria da empresa, a Sertãozinho, na cidade de Botelhos, no Sul de Minas Gerais, onde também são feitas a seleção dos grãos e a torrefação.
A produção, segundo Madureira, segue regras rígidas de manejo socioambiental — uma exigência para que o café seja considerado de categoria especial. A marca mantém há anos o selo da Rainforest Alliance, organização internacional sem fins lucrativos que estabelece parâmetros de manejo agrícola e de cuidado com trabalhadores e recursos naturais.
Colheita do café Orfeu na fazenda Sertãozinho, da própria empresa, em Botelhos, Minas Gerais
Araquem Alcântara/ Divulgação
Mais recentemente, a Orfeu passou a integrar um projeto piloto de agricultura regenerativa da entidade, que prevê não apenas a preservação, mas a recuperação do solo, da água e da biodiversidade nas áreas cultivadas.
Mudanças climáticas
Segundo o executivo, a adoção dessas práticas também está ligada à resiliência da produção diante das mudanças climáticas, que têm impactado a oferta global de café nos últimos anos. Secas e variações extremas de temperatura têm afetado a produção no Brasil e no Vietnã nos últimos anos, reduzindo a oferta do grão no mercado internacional, o que fez os preços dispararem em todo o mundo.
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Apesar do custo mais elevado dos cafés especiais, Madureira avalia que a diferença de preço em relação aos produtos tradicionais diminuiu recentemente, o que abriu espaço para a migração de consumidores para categorias premium:
— Houve um aumento generalizado de preços, o que acabou achatando essa diferença e incentivando a experimentação.
