Orelha em abano: um problema social grave, por Dr. Milton Seigi Hayashi

 

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A orelha em abano é uma alteração anatômica que afeta entre 3% e 5% da população. Segundo o Dr. Milton Seigi Hayashi, cirurgião plástico, essa condição é caracterizada quando o rebordo da orelha se projeta mais de 2 centímetros em relação ao crânio. No entanto, o diagnóstico também considera a proporcionalidade com o formato geral da cabeça. Embora não seja considerada uma malformação grave, seus impactos emocionais e sociais podem ser profundos, especialmente durante a infância.

Crianças com orelha em abano frequentemente enfrentam bullying, apelidos e exclusão social. Esse cenário pode desencadear baixa autoestima, tristeza, insegurança e até queda no rendimento escolar. Como consequência, muitos recorrem a tentativas improvisadas de esconder as orelhas, como usar cabelos longos, bonés ou acessórios. Conforme explica o Dr. Milton Seigi Hayashi, essas soluções não corrigem a causa e apenas reforçam o desconforto emocional vivido diariamente.

A cirurgia como solução definitiva e segura

A cirurgia corretiva, chamada otoplastia, é indicada a partir dos 7 anos de idade. Nessa fase, a orelha já atingiu cerca de 90% do tamanho adulto, permitindo uma correção eficaz e duradoura. O procedimento é realizado por especialistas em Cirurgia Plástica ou Otorrinolaringologia, geralmente com anestesia local e leve sedação. Em crianças menores ou casos específicos, pode ser utilizada anestesia geral.

Existem mais de 200 técnicas descritas na literatura médica. Isso ocorre porque as alterações podem variar em diferentes regiões da orelha e conforme as características individuais da cartilagem. De acordo com o Dr. Milton Seigi Hayashi, cada caso exige planejamento personalizado, considerando espessura, rigidez e posicionamento da cartilagem. O objetivo é proporcionar um resultado natural, equilibrado e permanente, respeitando a anatomia de cada paciente.

Onde realizar a cirurgia e as barreiras existentes

O acesso à otoplastia ainda representa um desafio significativo. Alguns convênios médicos reconhecem o procedimento como reparador e autorizam sua realização. No entanto, a maioria classifica como cirurgia estética e nega a cobertura.

Famílias com recursos financeiros conseguem realizar a cirurgia na rede privada. Outras buscam alternativas como projetos sociais especializados, que oferecem custos reduzidos e condições facilitadas. Ainda assim, muitas famílias dependem do sistema público de saúde e enfrentam longas esperas.

Conforme observa o Dr. Milton Seigi Hayashi, pacientes adolescentes podem eventualmente realizar o procedimento em hospitais de ensino com residência médica. Porém, crianças mais novas enfrentam limitações, principalmente devido à necessidade de sedação adequada e estrutura especializada.

O impacto social e emocional nas crianças

Estima-se que centenas de milhares de crianças no Brasil convivam com orelha em abano sem acesso à correção cirúrgica. Esse cenário gera sofrimento silencioso e prolongado, especialmente durante fases importantes do desenvolvimento emocional.

O bullying repetido pode influenciar a formação da identidade, afetar relações sociais e comprometer a confiança. A cirurgia, nesse contexto, não representa apenas uma mudança estética, mas uma intervenção que pode contribuir significativamente para o bem-estar psicológico e social.

Segundo o Dr. Milton Seigi Hayashi, quando realizada com indicação adequada e acompanhamento especializado, a otoplastia proporciona benefícios que vão além da aparência. Ela permite que crianças e adolescentes se desenvolvam com mais segurança, autoestima e qualidade de vida.

Caminhos possíveis para ampliar o acesso

Uma das soluções discutidas na comunidade médica envolve ampliar o acesso à cirurgia em ambulatórios especializados, com protocolos seguros e adaptados. Isso exigiria revisão de normas, investimento em estrutura e maior integração entre instituições de saúde e formação médica.

A ampliação do acesso à otoplastia representa não apenas um avanço técnico, mas também um compromisso social. Permitir que crianças tenham acesso a essa correção significa reduzir impactos emocionais duradouros e oferecer melhores condições para seu desenvolvimento.

A orelha em abano, embora não represente risco físico grave, pode gerar consequências profundas. Por isso, o acesso à cirurgia corretiva deve ser visto como uma forma de promover saúde integral, dignidade e bem-estar desde a infância.