Operadores de renda fixa são eclipsados pelo segmento de ações em reviravolta em Wall Street

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Fonte da notícia: Valor Valor

Enquanto as mesas de renda fixa de Wall Street enfrentavam dificuldades no terceiro trimestre, suas rivais no segmento de ações aproveitaram uma oportunidade rara para superar seus colegas de mercado. As divisões de ações de cinco dos maiores bancos dos EUA estão a caminho de gerar mais de US$ 66 bilhões em receita nos primeiros nove meses do ano, cerca de US$ 3 bilhões a mais do que o esperado das unidades que lidam com títulos, moedas e commodities. Parte desse desempenho foi impulsionada por operações de "prime brokerage" (serviços de corretagem especializada) que atendem fundos de hedge e outros grandes investidores em ações. Tudo isso significa que uma geração de operadores de renda fixa está enfrentando, pela primeira vez em suas carreiras, a possibilidade de serem superados no ano por seus pares do segmento de ações. Isso não apenas alteraria a hierarquia e os bônus, mas também desafiaria a crença convencional de longa data de que os computadores dominariam a negociação de ações — corroendo taxas e receitas. "Não faz muito tempo que as pessoas estavam preocupadas com a automatização e a negociação de ações", disse o CEO do Goldman Sachs Group Inc., David Solomon, a analistas. "Mas, hoje, o conjunto de oportunidades para nós é maior do que qualquer um poderia ter imaginado, ao observarmos nossas receitas com ações e a forma como nos adaptamos." Os números referentes aos nove meses baseiam-se nos resultados divulgados por três dos maiores bancos do setor (J.P. Morgan, Citigroup e Goldman Sachs) nesta terça-feira (13) e nas estimativas de analistas para dois de seus maiores concorrentes (Morgan Stanley e Bank of America), cujos resultados são esperados para esta quarta-feira (14). Até agora, os operadores de ações do Goldman Sachs registraram dois de seus melhores trimestres da história neste ano. No J.P. Morgan, os operadores de ações alcançaram o melhor terceiro trimestre de todos os tempos, com um aumento de 49% em relação ao ano anterior.

As mesas de negociação de renda fixa de Wall Street estão enfrentando os impactos da alta das taxas de juros, o que pode reduzir o valor de títulos de dívida existentes e restringir a demanda dos clientes por transações. O Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros em setembro para conter a inflação, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos aproximaram-se do nível mais alto em quase um quarto de século no início deste mês. As mesmas forças que estão alterando os resultados das mesas de negociação também estão impulsionando o papel tradicional dos bancos como credores. J.P. Morgan, Citigroup e Wells Fargo registraram um novo recorde no terceiro trimestre em receitas com empréstimos, com os clientes continuando a tomar crédito mesmo com a alta dos juros. Dentro das unidades de renda fixa, os ganhos com produtos de taxas e spreads recuaram, enquanto os segmentos de moedas e commodities mostraram-se mais resilientes. Entre os maiores bancos que divulgaram resultados na terça-feira, apenas o Citigroup não sofreu queda na receita de negociação de renda fixa. Os lucros da instituição também foram reforçados por um trimestre excepcional em sua divisão de serviços, que auxilia empresas e governos a movimentar e gerir seus recursos financeiros. As ações da maioria dos grandes bancos dos EUA caíram após o início da divulgação dos balanços trimestrais nesta terça-feira.

Até o momento, no que diz respeito às áreas de negociação de mercado, vive-se "um cenário de contrastes", escreveram analistas liderados por Brian Foran, da Truist Financial Corp., em nota aos clientes. E, ao analisar o segmento mais tradicional de crédito, os analistas observaram que "um grupo prevê perspectivas positivas para a margem financeira líquida, bem como retornos sólidos sobre o capital e gastos robustos dos consumidores".

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