Operação Somnus: Vítimas sedadas, abusadas e filmadas eram do convívio íntimo de suspeitos, diz PF
As vítimas de uma rede internacional que dissemina vídeos de abusos sexuais cometidos contra mulheres em estado de sedação eram, em geral, fazem parte do círculo íntimo dos suspeitos. O delegado Bruno César Muniz, da Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, afirmou que os autores dos crimes têm entre 21 e 40 anos e costumavam trocar informações sobre medicamentos que poderiam ser usados para dopar as mulheres.
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Nesta quarta-feira, a PF deflagrou a Operação Somnus contra o esquema criminoso. Agentes saíram às ruas para cumprir três mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Ceará, Pará, Santa Catarina e Bahia.
— É um crime de extrema repulsa, em que a maioria das vítimas pertence ao círculo íntimo de convívio dos autores. Namoradas, ex-namoradas, possivelmente irmãs, amigas íntimas — afirmou o delegado ao SBT News.
Na operação, os agentes apreenderam celulares, outros equipamentos eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados e sedativos, que passarão por perícia. Os investigadores tentam identificar outros suspeitos e mais vítimas da rede.
Operação da PF
Batizada de Operação Somnus, as investigações tiveram início no ano passado. A PF recebeu informações oriundas de uma cooperação policial internacional que envolve mais de 20 países, por meio da Europol, e investiga a participação de sete brasileiros na prática criminosa.
Segundo a polícia, as condutas investigadas configuram delitos contra a dignidade sexual, e podem ser enquadradas nos crimes de estupro de vulnerável, divulgação de cena de estupro e estupro de vulnerável.
Trocas de mensagens obtidas pela investigação revelaram que os suspeitos discutiam o uso de medicamentos com propriedades sedativas antes das práticas sexuais. Para a polícia, o conteúdo demonstra "conhecimento sobre marcas comerciais e possíveis efeitos adversos dessas substâncias". Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados, aparelhos celulares, computadores.
Ainda conforme a PF, os suspeitos brasileiros também podem ser enquadrados na Lei nº 13.642/2018, voltada para crimes praticados por meio da internet que envolvam a propagação de conteúdo misógino. A disseminação dos vídeos, nesse sentido, indica a "manifestação de ódio, repulsa e objetificação da mulher".
