Operação investiga movimentação ilegal de R$ 26 bi por fintechs ligadas ao setor de combustíveis
A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo fazem nesta manhã uma operação para investigar a movimentação ilegal de mais de R$ 26 bilhões em seis novas fintechs entre 2022 e 2025. A Operação Fluxo Oculto é a segunda fase de uma operação que investiga fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Segundo a Receita Federal, as seis fintechs eram usadas para movimentar recursos entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimento ligados ao grupo criminoso investigado. As fintechs também teriam sido usadas para pagar colaboradores, despesas pessoais e investimentos dos principais operadores do esquema.
As investigações apontam operações suspeitas com depósitos em dinheiro vivo. Uma das instituições recebeu mais de R$ 1 bilhão em espécie entre 2022 e 2024.
Apenas três das fintechs informaram à Receita cerca de R$ 8 bilhões movimentados em 2025. As outras três serão autuadas por não entregar a declaração obrigatória. A Receita também identificou pelo menos R$ 365 milhões em transações com criptoativos.
A Operação Fluxo Oculto cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em São Paulo, há mandados na capital e em cidades como Barueri, Santos, Paulínia, Sorocaba, São José do Rio Preto e Mogi das Cruzes.
Outra frente da investigação apura a adulteração de combustíveis com o solvente, nafta petroquímica. Segundo os investigadores, empresas de fachada simulavam a compra da nafta para uso industrial. Depois, o produto era desviado para terminais de armazenamento e utilizado para a adulteração. O combustível era então enviado a postos ligados à organização criminosa.
Somente nesse esquema, o prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 200 milhões durante dois anos. Quatro fundos são investigados nessa frente. Eles tiveram aumento patrimonial superior a 200% em pouco mais de um ano.
