'Operação de guerra', diz prefeita de Juiz de Fora (MG) sobre ações após temporal
As fortes chuvas na noite de segunda-feira (23) em Juiz de Fora, Minas Gerais, causaram 16 mortes e deixaram outras 45 pessoas desaparecidas, segundo informações divulgadas pela prefeitura e pelo Corpo de Bombeiros. Volume de chuva em apenas sete horas chegou a cerca de 80% da média esperada para todo o mês na cidade.
Chuva em Juiz de Fora acumula cerca de 80% da média mensal em apenas sete horas; 15 pessoas morreram
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O temporal causou destruição, com desabamentos de edificações e deslizamentos de terra. Os rios que cortam a cidade, entre eles o Paraibuna, transbordaram. Também há árvores caídas por todo o município. A Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública nesta madrugada.
Em entrevista ao Jornal da CBN, a prefeita do município, Margarida Salomão (PT), informou que há um intenso esquema de atendimento para as famílias atingidas e para as áreas da cidade que estão mais prejudicadas.
“É uma tragédia como nunca tivemos na cidade. Há 40 anos o Rio Paraibuna não transborda, o que ocorreu agora. Não houve quem segurasse tanta infelicidade ontem… Estamos buscando os desaparecidos, as pessoas desalojadas estão temporariamente abrigadas em três escolas municipais, cujas aulas foram suspensas. É uma operação de guerra”, disse.
De acordo com a Defesa Civil, são ao menos 440 desabrigados.
Com a possibilidade de novos desabamentos, mesmo em locais onde a chuva deu “trégua”, o trabalho emergencial da gestão municipal, neste momento, tem sido na desobstrução de escombros.
“Precisamos ver se ainda há a possibilidade de salvarmos vidas. Também estamos contendo alagamentos e enfrentando deslizamentos de terra nas principais vias da cidade para podermos restabelecer o trânsito plenamente”, completou Margarida.
Áreas de risco
De acordo com a prefeita de Juiz de Fora, os deslizamentos ocorreram em quatro áreas de risco da cidade. Monitoradas anteriormente pela Defesa Civil Municipal, não havia acontecido nenhum caso semelhante a este até o momento.
Juiz de Fora é uma cidade de serra bastante acidentada, com muitas casas construídas em morros e ladeiras — locais que estão sendo os mais atingidos pela chuva.
“Nunca tivemos vítimas fatais, temos sempre chegado antes. Ontem, em quatro horas, caíram mais de 180 milímetros de chuva… Foi humanamente impossível chegar aos lugares”, disse.
O atendimento de saúde na cidade, até o momento, tem suprido as necessidades decorrentes das fortes chuvas. A área na região, que atende cerca de 2 milhões de habitantes, está acionada em seu grau máximo.
Como a prefeita informou, o Ministério da Saúde e a Defesa Civil Nacional já ofereceram mais recursos de saúde — como acampamentos e vacinas — caso seja necessário.
Estado de calamidade
Equipes do Corpo de Bombeiros estão na região desde o início das fortes chuvas na noite de ontem. A corporação deslocou mais de 20 militares em salvamento e cães farejadores para atender às ocorrências. Com o solo completamente desnaturado e encharcado, o risco de novos desabamentos permanece altíssimo, segundo os bombeiros, mesmo em locais onde a chuva deu trégua.
Segundo os Bombeiros, são aproximadamente 101 chamados relacionados a essas chuvas fortes nas últimas horas.
Outras cidades da região também foram afetadas, como Ubá, onde quatro mortes foram confirmadas. O número de desaparecidos ainda está sendo contabilizado. Segundo o Corpo de Bombeiros, os reforços enviados à região serão distribuídos em diferentes municípios para ampliar as operações de busca e salvamento.
