Operação da PF que mira em Castro faz PL questionar aposta em ex-governador e acelerar busca por substituto ao Senado
A operação da Polícia Federal que tem o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro como alvo acelerou a discussão no PL sobre um substituto para a disputa ao Senado em 2026. Segundo relatos feitos ao GLOBO, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a situação política de Castro ficou “insustentável” após a ofensiva desta sexta-feira e admitem que o partido já trabalha, de forma reservada, com cenários sem o ex-governador na chapa da direita no Rio.
A avaliação no entorno de Flávio é que a nova operação agravou um quadro que já vinha se deteriorando desde março, quando Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Na ocasião, o ex-governador renunciou ao cargo às vésperas da conclusão do julgamento, numa tentativa de evitar a cassação formal do mandato, mas acabou condenado à inelegibilidade mesmo assim.
Questionado sobre a operação na manhã desta sexta-feira, Flávio afirmou que ainda não havia entendido os detalhes da investigação.
— Eu ouvi a notícia, mas ainda não entendi direito. Vou saber o que houve.
Embora o discurso público do partido seja de apoio ao ex-governador desde sua condenação, dirigentes do PL passaram a demonstrar crescente preocupação com o risco de lançar um candidato ao Senado que pudesse ter os votos anulados posteriormente pela Justiça Eleitoral. Castro apresentou embargos contra a condenação ao TSE, mas os recursos não têm potencial de mudar a decisão da Corte eleitoral. Agora, porém, a investigação da PF aprofundou a percepção interna de desgaste.
A operação desta sexta-feira investiga suspeitas de fraude no setor de combustíveis envolvendo o grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro. A ação, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, também mira empresários, ex-integrantes do governo fluminense e agentes públicos suspeitos de participação em um esquema de ocultação patrimonial, evasão de recursos e lavagem de dinheiro.
A defesa do ex-governador afirmou ter sido “surpreendida” pela operação e declarou que ainda não teve acesso ao conteúdo do mandado de busca e apreensão cumprido contra o político. Em nota, os advogados disseram que Castro está “à disposição da Justiça” e que confia na “lisura” de sua atuação à frente do governo estadual.
Com isso, nomes alternativos passaram a circular com mais intensidade dentro do partido. O mais citado hoje é o do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, visto por integrantes da legenda como um nome competitivo por reunir forte influência no eleitorado evangélico e boa interlocução com o núcleo bolsonarista. Ele nega a possibilidade:
— Cláudio é o nosso candidato. Não se abandona soldado ferido.
Também aparecem nas conversas os deputados Carlos Jordy e Altineu Côrtes, além do ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi e da mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro.
Jordy, que há meses se coloca internamente como pré-candidato ao Senado, afirmou ao GLOBO que está disposto a disputar a vaga caso seja escolhido pelo partido.
— Estou totalmente à disposição do PL. Essa sempre foi minha vontade. Sempre quis enfrentar a tirania do STF. Se eu tiver que ir para a missão, estou pronto.
A palavra final sobre uma eventual substituição deverá caber a Flávio, que assumiu protagonismo na montagem da chapa da direita no Rio e é tratado internamente como o principal responsável pela definição da candidatura ao Senado.
Apesar das discussões reservadas, a direção do partido vinha mantendo publicamente a defesa do ex-governador. Ainda assim, desde a condenação no TSE, dirigentes da legenda já admitiam internamente a possibilidade de o PL abandonar a candidatura caso a situação judicial de Castro não fosse revertida.
Em março, logo após o julgamento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao GLOBO que o partido não pretendia assumir o risco de lançar um candidato sub judice.
— O partido não vai correr risco. Cláudio só sai candidato se ganhar o recurso.
