Operação da PF contra Cláudio Castro provoca tensão na Alerj e amplia temor eleitoral na base governista

Operação da PF contra Cláudio Castro provoca tensão na Alerj e amplia temor eleitoral na base governista

 

Fonte: Bandeira



operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira (26) contra o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, abalou os bastidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e ampliou o clima de apreensão entre parlamentares da base aliada de Castro e do presidente da Casa, Douglas Ruas (PL). Deputados ouvidos sob condição de anonimato afirmam que a ação, a segunda em apenas 11 dias envolvendo o ex-governador, consolidou nos corredores da Alerj a percepção de um desgaste irreversível de sua imagem e ameaça contaminar projetos eleitorais ligados ao grupo político do PL no estado.

Leia também: estrategista de Bolsonaro em 2018 é nova baixa na campanha de Flávio após crise com Vorcaro

Decisão: Primeira Turma do STF acaba com a aposentadoria compulsória remunerada como punição a juízes

O temor maior recai sobre a pré-campanha de Ruas, um dos nomes do partido para a disputa pelo governo estadual em outubro. Segundo deputados da base e do PL, aliados próximos já vêm trabalhando para desvincular a imagem do presidente da Casa da de Castro, diante da avaliação de que o ex-governador se tornou um "ativo político tóxico" após o avanço das investigações sobre aportes do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.

Agentes da Polícia Federal estiveram na cobertura de Cláudio Castro, no condomínio Península, na Barra da Tijuca. Segundo o advogado Carlo Luchione, dois celulares foram apreendidos no imóvel.

Parlamentares afirmam que já é dada como "certa" a derrota política de Castro e consideram praticamente inexistente a possibilidade de o ex-governador viabilizar uma candidatura ao Senado em 2026.

A avaliação interna é de que a sucessão de operações e o desgaste provocado pelas investigações criaram um ambiente de isolamento político do ex-governador até mesmo entre antigos aliados. Deputados governistas reconhecem que a repercussão do caso ultrapassou o campo jurídico e passou a afetar diretamente o tabuleiro eleitoral fluminense.

Reação a declaração de Lula

O assunto dominou conversas de bastidores ao longo de uma sessão plenária marcada por tensão política e discursos duros. Coube justamente a Douglas Ruas abrir os trabalhos da Casa. Em discurso inflamado, o parlamentar saiu em defesa da Alerj e criticou declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o Rio de Janeiro e o Parlamento fluminense.

No fim de semana, Lula afirmou que, se a Alerj indicasse o governador do Rio, “viria um miliciano”.

Ruas afirmou ter recebido "com profunda indignação" as declarações do presidente da República e disse que "é inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento Fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro". O deputado também afirmou que a Alerj "merece respeito" e cobrou que Lula "se retrate".

Em outro momento, o presidente da Casa afirmou que "o voto popular merece respeito por todas as instituições" e sugeriu que pessoas próximas ao presidente "talvez tenham mais explicações com o crime organizado do que para quem aponta o dedo nessa oportunidade".

Enquanto a cúpula da Assembleia tentava blindar a instituição politicamente, parlamentares da oposição aproveitaram a sessão para associar a crise financeira do estado à gestão de Castro.

A deputada Elika Takimoto (PT) fez um dos discursos mais duros do dia ao criticar os aportes do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.

— Cláudio Castro fez do dinheiro de quem trabalhou uma vida toda pelo Estado uma aposta de cassino. Foi extremamente cruel tudo isso — disse Takimoto.

A parlamentar também associou o caso à privatização da Cedae, afirmando que a companhia foi "rifada" sem que o estado tivesse recebido contrapartidas concretas. Segundo ela, "o Estado seguiu quebrado", apesar da arrecadação bilionária obtida com a concessão da empresa.

Takimoto citou ainda um projeto de lei de sua autoria que propõe utilizar o excesso de arrecadação dos royalties do petróleo para recompor integralmente o patrimônio perdido pelo Rioprevidência nos investimentos relacionados ao Banco Master.

Já a deputada Martha Rocha (PDT) também mencionou diretamente o nome de Castro ao defender os servidores públicos estaduais e cobrar mais transparência do governo.

— O protagonista das páginas policiais do Estado do Rio de Janeiro é o ex-governador Cláudio Castro.

Martha, porém, fez um aceno ao atual governador em exercício, Ricardo Couto, ao elogiar o anúncio da recomposição salarial dos servidores e afirmar que o estado "precisa de respeito e transparência".

A operação da PF realizada nesta terça-feira teve como alvo aportes feitos pelo estado do Rio, por meio do Rioprevidência, em fundos ligados ao Banco Master. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).