Operação contra esquema de corrupção e tráfico de drogas em presídios de Campos tem seis policiais penais presos

 

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Doze pessoas — entre elas seis policiais penais — foram presas durante uma operação, nesta quinta-feira, contra uma quadrilha envolvida em crimes cometidos dentro de presídios em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, como tráfico de drogas e corrupção. Segundo agentes da 146ª DP (Guarus) e do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ) o esquema era realizado nas unidades prisionais Dalton Crespo de Castro e Carlos Tinoco da Fonseca. Todos os 12 alvos da operação foram denunciados pelo MPRJ. A Justiça determinou ainda o afastamento dos policiais penais de suas funções e a suspensão do porte de armas de fogo.

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As investigações sobre a quadrilha começaram após o assassinato do ex-policial penal Marcelo Aparecido de Lima, em abril de 2025, em Campos dos Goytacazes. No momento do crime, ele já havia sido expulso da corporação, após uma investigação apontar o envolvimento dele em crimes dentro do sistema prisional.

Em dezembro de 2025, os investigadores deflagraram a primeira fase da Operação Clausura — a desta quinta-feira é a segunda. Na ocasião, foram presos três suspeitos de envolvimentos na emboscada contra Lima. Na continuação da apuração do crime, os agentes da 164ª DP identificaram um complexo esquema de corrupção e tráfico de drogas envolvendo agentes públicos, custodiados e traficantes locais.

Segundo a polícia, foi identificado que Lima usava a confiança da profissão e era o elo para a entrada de drogas e outras irregularidades nos dois presídios de Campos. De acordo com os investigadores, esta seria uma das motivações para o sua morte.

O MPRJ informou que, a partir da análise dos dados de aparelhos celulares do ex-policial penal, ficou demonstrada a existência do grupo criminoso. Os seis policiais penais denunciados, além de drogas, permitiam também a entrada e a venda ilegal de celulares nos dois presídios, afirmou o Ministério Público. O lucro dos envolvidos com as atividades ilícita foi comprovado por meio de transações bancárias, segundo a polícia.

Ainda conforme o apurado nas investigações, a organização criminosa tinha, além do formado pelos policiais penais, outros dois núcleos. Quatro pessoas — uma delas atualmente presa — eram responsáveis pelo abastecimento da rede criminosa, enquanto outros dois detentos atuavam no fracionamento e na comercialização interna das drogas e dos celulares.

Além dos presídios, mandados foram cumpridos em endereços ligados aos investigados em Campos; na capital carioca; em Rio das Ostras e em Cabo Frio, na Região dos Lagos; em Casimiro de Abreu, na Costa do Sol; e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O que diz a Seppen

Em nota, a Secretaria estadual de Polícia Penal (Seppen) afirmou que "a Corregedoria-Geral e a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Penal participam da operação, em apoio à Polícia Civil e ao Ministério Público. Em paralelo ao processo criminal, os servidores responderão a Processo Administrativo Disciplinar (PAD)".

A Seppen reforçou que "não compactua com quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou de abuso de autoridade praticados por seus servidores. A Seppen esclarece, ainda, que Marcelo Aparecido de Lima foi demitido em 2020. Logo, não fazia mais parte dos quadros da instituição quando foi assassinado".