Operação contra 'El Mencho' ocorre após ameaça de Trump de invadir México por narcotráfico

 

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A operação das forças federais do México contra o narcotráfico no país que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o 'El Mencho', ocorreu após pressão dos Estados Unidos e ameaças de invadir o país por conta dos narcotraficantes.

A pressão sobre o México para que intensifique a ofensiva contra os cartéis responsáveis ​​pela produção e contrabando de fentanil, droga que, segundo Trump, tem 'matado centenas de milhares de nossos cidadãos e... destruído famílias', vinha aumentando.

O governo Trump destacou o combate ao abuso de substâncias como uma de suas prioridades, com o presidente inclusive assinando uma ordem executiva em dezembro que designava o fentanil como uma 'arma de destruição em massa'.

O Cartel Jalisco Nova Geração, liderado por 'El Mencho', era conhecido pelo tráfico de fentanil, metanfetamina e cocaína para os Estados Unidos.

A operação desse domingo (22) teve ajuda de autoridades americanas. O Ministério da Defesa afirmou que as autoridades americanas forneceram 'informações complementares' que contribuíram para o sucesso da operação.

Já a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que foram repassadas informações de inteligência. Também elogiou a ação. Segundo ela, a administração elogia 'e agradece às Forças Armadas mexicanas pela cooperação e pela execução bem-sucedida desta operação'.

'O presidente Trump manteve uma posição firme, garantindo que os Estados Unidos não descansarão até que os narcoterroristas responsáveis ​​por inundar o país com drogas mortais sejam levados à justiça implacavelmente', segue a nota.

Caos em cidade mexicana após morte de narcotraficante.

AFP

A embaixada dos EUA no México afirmou que a operação foi realizada por forças especiais mexicanas 'no âmbito da cooperação bilateral, com as autoridades americanas fornecendo informações complementares'.

Na nota, a embaixada também emitiu um alerta de segurança, recomendando aos cidadãos americanos nos estados de Jalisco, Tamaulipas, Michoacán, Guerrero e Nuevo León que se abriguem em suas casas nas regiões afetadas, em decorrência de 'operações de segurança, bloqueios de estradas e atividades criminosas'.

Ao menos 57 pessoas morreram em ataques posteriores

Bloqueio em rodovia do México.

AFP

A onda de violência no México após a morte do traficante Nemesio Oseguera Cervantes, o 'El Mencho', um dos mais procurados do país, deixou ao menos 57 pessoas mortas.

Entre as vítimas estão 25 membros da Guarda Nacional e 30 membros de cartéis. A informação é do secretário de Segurança, Omar García Harfuch.

Além disso, mais de 70 pessoas foram presas e dezenas de carros incendiados. Não há um número oficial de feridos.

Os narcotraficantes realizaram ao menos 252 bloqueios em 20 estados do país.

A morte ocorreu em Tapalpa, Jalisco, e desencadeou uma onda de violência com incêndios de veículos e ataques a postos de gasolina e estabelecimentos comerciais.

Jalisco concentrou a maior parte da atividade violenta, com 65 bloqueios em rodovias federais e estaduais e vias urbanas estratégicas, tornando-se o estado mais afetado do país.

Em outros 19 estados – Aguascalientes, Baixa Califórnia, Chiapas, Colima, Estado do México, Guanajuato, Guerrero, Hidalgo, Michoacán, Nayarit, Nuevo León, Oaxaca, Puebla, Quintana Roo, Sinaloa, Tabasco, Tamaulipas, Veracruz e Zacatecas – eventos localizados e bloqueios isolados foram relatados e imediatamente resolvidos pelas autoridades locais, sem que nenhum incidente grave adicional fosse relatado.

O Ministério da Defesa Nacional e a Guarda Nacional lideraram o desdobramento operacional em coordenação com as instituições do Gabinete de Segurança e as forças policiais locais, com três objetivos principais: proteger a população, conter os incidentes e desobstruir as vias bloqueadas.

A operação federal ocorreu em Tapalpa e resultou na morte de Nemesio. Ele era líder do Cartel de Jalisco Nova Geração, um dos mais poderosos e violentos do México.

Quatro membros do cartel foram mortos no local, enquanto outros três morreram durante o transporte de avião para a Cidade do México, entre eles El Mencho. Dois supostos membros do cartel foram presos com armas que incluíam lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados.