ONU vê indícios de crimes de guerra dos EUA e relata violações contra a humanidade no Irã

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Fonte da notícia: Valor Valor

Uma missão de investigação da ONU sobre o Irã afirmou nesta quinta-feira ter motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos estavam por trás de dois ataques militares contra uma escola e uma instalação esportiva no Irã em fevereiro e que esses ataques constituíram crimes de guerra. Leia também: Guerra ao Irã já custou US$ 38 bilhões aos EUA Moradores do Iêmen fogem de barco em meio à expansão da guerra no Oriente Médio Como os houthis passaram de uma pequena milícia do Iêmen a uma grande ameaça regional? A missão também concluiu que as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão violenta aos protestos contra o governo.

As conclusões constam de um novo relatório da Missão Internacional Independente de Investigação sobre o Irã, que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, e examinou a conduta dos EUA durante a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, e a resposta do governo iraniano aos protestos em todo o país que começaram no fim de dezembro.

As missões americana e iraniana permanentes em Genebra não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.

Autoridades de Washington disseram anteriormente que as operações militares são conduzidas de acordo com o direito dos conflitos armados, enquanto Teerã tem rejeitado sistematicamente as acusações de violações de direitos humanos. A escola de Minab, danificada em um ataque em 28 de fevereiro Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Ataque à escola de Minab Os especialistas da ONU disseram ter encontrado motivos razoáveis para acreditar que forças americanas foram responsáveis por um ataque à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no qual mais de 150 pessoas morreram, incluindo cerca de 120 crianças, segundo autoridades iranianas.

O ataque foi indiscriminado, causando mortes de civis e danos à infraestrutura civil, e constituiu um crime de guerra segundo o direito internacional, concluiu a missão.

De acordo com o relatório, o fato de os EUA não terem atualizado em seus bancos de dados de alvos as informações relacionadas à escola, que ficava ao lado de um complexo naval da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), nem confirmado que o edifício era um objetivo militar foi mais do que mera negligência.

“Em vez disso, os Estados Unidos direcionaram os ataques ao prédio da escola mesmo cientes de um risco substancial de atingir um bem civil e agiram de forma imprudente diante da possibilidade de que isso ocorresse.”

Em junho, o presidente Donald Trump afirmou que “ninguém” atacou deliberadamente uma escola para meninas no Irã em fevereiro, citando uma investigação sobre o episódio. A Reuters foi a primeira a informar que uma investigação militar interna preliminar dos EUA indicava que forças americanas provavelmente foram responsáveis pelo ataque fatal em Minab, no sul do Irã.

Desde então, o Pentágono elevou o nível da investigação, mas não divulgou nenhuma conclusão preliminar.

Os especialistas da ONU afirmaram que a escola era um bem civil claramente identificável e que não encontraram evidências de que estivesse sendo utilizada para fins militares.

Os especialistas chegaram a uma conclusão semelhante sobre um ataque contra um centro esportivo em Lamerd. Conforme o relatório, o ataque danificou edifícios residenciais próximos e uma escola e matou e feriu 22 civis. A missão concluiu que o ataque foi indiscriminado e, portanto, constituiu um crime de guerra.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou em comunicado em março que as forças americanas não realizaram nenhum ataque contra a cidade de Lamerd naquele dia. Khadijeh, iraniana que perdeu o filho Mohammad Taha no ataque à escola de Minab em 28 de fevereiro, junto ao túmulo dele Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Abusos no Irã A investigação da missão da ONU também chegou à conclusão de que as autoridades iranianas realizaram um ataque generalizado e sistemático contra civis durante os protestos que eclodiram no fim de dezembro do ano passado, envolvendo mortes ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e severas restrições à liberdade de expressão.

Grupos de direitos humanos afirmam que pessoas que não participavam das manifestações estavam entre os mortos durante a maior repressão desde que clérigos xiitas chegaram ao poder na Revolução de 1979. Teerã culpou “terroristas e desordeiros” apoiados por opositores no exílio e por seus adversários estrangeiros, EUA e Israel.

A missão afirmou que não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos, mas acredita que a quantidade de mortos e feridos provavelmente seja muito superior aos dados oficiais, segundo os quais 3.038 pessoas morreram e 25 mil ficaram feridas.

A resposta do governo aos protestos — incluindo violência e mortes, o bloqueio da internet e o uso da pena de morte — representou uma escalada significativa em relação aos padrões anteriores de repressão à dissidência, segundo o relatório. Grupo da ONU concluiu que autoridades iranianas realizaram um ataque generalizado e sistemático contra civis durante os protestos que eclodiram em dezembro de 2025 AP Photo

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