247 – A Assembleia Geral das Nações Unidas inicia nesta terça-feira (27) o debate sobre uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Segundo a agência Prensa Latina, a votação está prevista para quarta-feira (28), em meio a denúncias da delegação cubana de endurecimento das sanções e de pressões de Washington para reduzir o apoio internacional à proposta.
Mais de 30 oradores devem participar do primeiro dia de discussões. A resolução se baseia no relatório apresentado por Cuba sobre os efeitos da política norte-americana, que foi intensificada desde o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025.
A delegação de Cuba é chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez. Integrante da comitiva, a vice-ministra das Relações Exteriores, Anayansi Rodríguez, afirmou que as restrições comprometem a economia e o desenvolvimento do país, com consequências para os direitos da população.
“Nossa realidade é profundamente marcada pelo injusto bloqueio econômico, comercial e financeiro que tem um impacto devastador em nossa economia e é, sem dúvida, o principal obstáculo ao nosso desenvolvimento, além de ser uma violação maciça, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todo um povo”, declarou à Prensa Latina.
O representante permanente de Cuba na ONU, embaixador Ernesto Soberón, afirmou que o país leva à Assembleia Geral uma posição respaldada por sucessivas manifestações da comunidade internacional. “Cuba chega à Assembleia Geral da ONU com a legitimidade de uma reivindicação justa, sustentada há décadas e com amplo apoio internacional”, disse.
Cuba denuncia pressão sobre países antes da votação Soberón apontou um agravamento das medidas contra o país e destacou as restrições ao abastecimento energético e as sanções secundárias dirigidas a países terceiros.
Segundo o embaixador, essas iniciativas ampliam o alcance da política norte-americana e tornam o contexto da votação deste ano particularmente grave. O diplomata também acusou o governo dos Estados Unidos de mobilizar sua estrutura diplomática para tentar modificar a posição dos Estados-membros.
“Este cenário é agravado por uma ofensiva sem precedentes do Departamento de Estado, da Missão Permanente dos Estados Unidos junto às Nações Unidas (USUN) e das embaixadas americanas em todo o mundo, numa tentativa de alterar a vontade soberana dos Estados-membros e enfraquecer os níveis tradicionais de apoio alcançados pela nossa resolução”, afirmou.
Na avaliação de Soberón, o bloqueio é a ameaça em discussão, e não Cuba. O embaixador manifestou a expectativa de que a comunidade internacional volte a apoiar a posição cubana diante das pressões denunciadas por sua delegação.
Ele ressaltou que o alcance do debate vai além da relação entre Havana e Washington. A discussão “transcenderá o nível das relações bilaterais entre Cuba e os Estados Unidos, pois é um tema de interesse da Assembleia Geral, incluído em sua agenda há mais de 30 anos, que atrai altos níveis de participação e ampla representação regional”, declarou.
Impactos sobre energia, alimentação e saúde A delegação cubana coloca as consequências humanitárias das restrições no centro de sua argumentação.
Soberón relacionou o bloqueio às dificuldades de abastecimento e à interrupção de serviços essenciais. “Os apagões prolongados, as dificuldades de acesso a medicamentos, alimentos e água potável, e as interrupções nos serviços de saúde demonstram o impacto de uma política genocida que pune toda a população”, afirmou o representante cubano.
A denúncia apresentada por Havana sustenta que os efeitos das medidas ultrapassam os indicadores econômicos e atingem diretamente as condições de vida da população. Resolução recebeu 165 votos favoráveis em 2025
Na votação do ano passado, a proposta pelo fim do bloqueio obteve 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções, segundo a Prensa Latina. Votaram contra Argentina, Estados Unidos, Hungria, Israel, Macedônia do Norte, Paraguai e Ucrânia.
Abstiveram-se Albânia, Bósnia e Herzegovina, Costa Rica, República Tcheca, Equador, Estônia, Letônia, Lituânia, Marrocos, Moldávia, Romênia e Polônia. Com a apreciação prevista para esta quarta-feira, a Assembleia Geral examinará pela 34ª vez o pedido de encerramento da política norte-americana.
Cuba leva a denúncia ao órgão deliberativo das Nações Unidas desde 1992.
Brasil 247