ONU critica guerra no Oriente Médio e afirma que Irã, Israel e EUA 'ultrapassaram limites'
Em uma declaração nesta quarta-feira (25), o secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou duramente os países envolvidos no conflito em curso no Oriente Médio, afirmando que os combates 'ultrapassaram limites que até mesmo os líderes consideravam inimagináveis'.
Ele pediu especificamente aos Estados Unidos e a Israel, cujos ataques conjuntos no mês passado deram início à guerra contra o Irã, que encerrem os combates, visto que 'o sofrimento humano se aprofunda, as baixas civis aumentam e o impacto econômico global se torna cada vez mais devastador'.
Guterres acrescentou: 'Minha mensagem para o Irã é que pare de atacar seus vizinhos'.
Ele também anunciou a nomeação de um enviado pessoal para liderar os esforços da organização mundial em relação ao conflito e às recentes iniciativas de paz em andamento
Irã rejeita cessar-fogo de Trump chamando negociações com os EUA de 'ilógicas'
Presidente Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.
Kenny HOLSTON / POOL / AFP
O Irã afirma que se recusa a aceitar o cessar-fogo na guerra do Oriente Médio com os Estados Unidos e também considerou 'ilógicas' as tentativas de negociações com partes que 'violaram acordos'.
As afirmações são de uma alta autoridade do governo iraniano para a agência de notícias estatal Fars, sendo noticiada pela Bloomberg.
"Uma fonte bem informada, falando à agência de notícias Fars, apontou para o fracasso do lado oposto em atingir seus objetivos, afirmando: 'O Irã não aceita um cessar-fogo. Fundamentalmente, entrar em um processo desse tipo com aqueles que violaram os acordos não é lógico'", citou o veículo.
Ao mesmo tempo, a Press TV, televisão estatal iraniana, citando um alto funcionário, o Irã defende que 'encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas'.
'As operações defensivas do Irã continuarão até que suas condições sejam atendidas' disse o oficial, descrevendo a proposta dos EUA como 'excessiva'.
O representante oficial apresentou as exigências iranianas em uma contraproposta, incluindo: a suspensão de ataques e assassinatos, garantias contra futuros conflitos, pagamento de indenizações de guerra, fim dos combates em todas as frentes envolvendo grupos aliados e reconhecimento da autoridade do Irã sobre o Estreito de Ormuz.
A agência de notícias Reuters, citando uma fonte sênior iraniana, disse que a resposta inicial do Irã à proposta dos EUA 'não é positiva', mas Teerã ainda está analisando.
Mais cedo, o Irã disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.
Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.
Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.
'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.
O porta-voz ainda declarou que os ataques militares americanos partiram de bases em países do Golfo Pérsico e que o Irã está exercendo seu direito à autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU.
Na entrevista, ele também explica que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, é o responsável pela diplomacia externa do Irã.
'O Presidente do Parlamento, Sr. Ghalibaf, é um político de alto escalão que atua dentro dos mandatos e atribuições conferidos pela Constituição. A divisão de trabalho entre nossas autoridades é clara e transparente. No momento, estamos 100% focados em defender a soberania e o território do Irã contra esses ataques brutais'.
