Antes da abertura do debate de alto nível da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu bilateralmente com o atual secretário-geral da entidade, António Guterres, como tradicionalmente acontece.
Segundo fontes do governo brasileiro, a mensagem do encontro foi que a ONU conta com o Brasil para ajudar a levar adiante a agenda multilateral, especialmente nas áreas de clima, inteligência artificial, comércio, paz e segurança.
Todos foram temas citados por Guterres em seu discurso nesta terça. Em sua última fala em uma abertura de Assembleia Geral como secretário-geral da ONU, ele afirmou que o movimento é claro em direção a um mundo multipolar. “Esse movimento é irreversível”, disse, ponderando que há diferentes formas que a multipolaridade pode tomar.
Uma envolve, por exemplo, desconfiança e instituições fraturadas, e é nessa trajetória que o mundo parece estar, segundo Guterres. Outro, disse, é um caminho de conexões, interdependência e uma profunda rede social, política, tecnológica.
Guterres foi aplaudido por parte da audiência ao afirmar que a “solução de dois Estados” para a questão Palestina não pode ser perdida de vista. Também foi aplaudido ao defender a reforma do Conselho de Segurança, citando o caso da ausência de assentos africanos, e a equidade de gênero, geral e na ONU.
O secretário-geral também disse que a inteligência qrtificial (IA) deve ser feita por, com e para toda a humanidade. Foi aplaudido ao afirmar que crianças não podem ser usadas como teste de sistemas sem regulação e que robôs assassinos não podem ter lugar no futuro.
No encerramento, Guterres afirmou que, quando não for mais secretário-geral, onde quer esteja, continuará defendendo os valores da carta da ONU. “Nunca vou desistir”, afirmou e foi aplaudido de pé por quase todos os presentes, mas não pela bancada dos Estados Unidos. O mandato de Guterres termina em dezembro deste ano, e a instituição enfrenta dificuldades para encontrar um sucessor.
Yuki Iwamura/AP
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