A ONU advertiu, nesta sexta-feira, que o plano israelense de assumir o controle de 70% da Faixa de Gaza quase certamente aumentará o sofrimento das crianças, já afetadas pelos graves problemas de superlotação. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na quinta-feira que ordenou ao Exército que assumisse o controle de mais territórios na Faixa de Gaza, desafiando os termos do frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo palestino Hamas, que entrou em vigor em outubro.
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Netanyahu explicou que o Exército israelense controlava 50% do território sob os termos do cessar-fogo e depois avançou para assumir o controle de 60%.
— Minha diretriz é avançar até 70% — disse o premier.
Mas o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que esta medida agravaria a crise sanitária entre as crianças do território palestino devastado pela guerra, já afetadas pela falta de alimentos, água e acesso à higiene.
Mesmo antes dos ataques de 7 de outubro de 2023 do movimento Hamas contra Israel, que desencadearam a guerra em Gaza, o território já era "um dos lugares mais densamente povoados do mundo", explicou o porta-voz da Unicef, Salim Oweis.
Hoje, "a população está comprimida em 40% do espaço que lhe resta, se refugiando entre edifícios destruídos, escombros e acúmulos de resíduos sólidos", destacou, acrescentando que "não há mais espaço acessível para retirar este lixo".
— Os efeitos já são claramente visíveis: crianças com infecções respiratórias, diarreia aquosa aguda e mais da metade das famílias relatando doenças de pele — ressaltou.
"Pulgas, piolhos e sarna são comuns", acrescentou Oweis, destacando também vários casos de mordidas de ratos em crianças pequenas e até em bebês em tendas e abrigos.
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Se Israel conquistar mais território, significará a perda de acesso a pontos de serviços e a zonas de difícil acesso onde vivem famílias e crianças, explicou Oweis.
— Isto só significará que mais crianças sofrerão — enfatizou o porta-voz.
O anúncio de Netanyahu ocorre em meio à violência na Faixa de Gaza, onde o exército israelense mantém operações militares e bombardeios. Israel e Hamas acusam-se mutuamente de violar a trégua que entrou em vigor após dois anos de guerra.
