ONU alerta que maioria das mortes infantis poderia ser evitada e vê risco de retrocesso global

 

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Um relatório das Nações Unidas aponta que a maioria das 4,9 milhões de mortes de crianças registradas em 2024 poderia ter sido evitada. O documento alerta que os cortes recentes na ajuda internacional colocam em risco a meta global de acabar com mortes infantis evitáveis até 2030.

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Segundo a análise, o ritmo de avanço na redução da mortalidade de crianças menores de cinco anos desacelerou cerca de 60% desde 2015. Para especialistas, a tendência compromete o cumprimento dos objetivos globais e exige reforço imediato nos investimentos em saúde básica.

— Nenhuma criança deveria morrer de doenças que sabemos como prevenir — afirmou Catherine Russell, citando “sinais preocupantes” de estagnação no progresso, de acordo com o jornal inglês The Guardian.

Os dados mostram que a África Subsaariana e o Sul da Ásia concentram as piores taxas de mortalidade infantil. Nessas regiões, as mortes de recém-nascidos representam quase metade dos óbitos entre crianças menores de cinco anos.

Entre as principais causas estão parto prematuro, pneumonia e complicações durante o nascimento. Doenças infecciosas também seguem relevantes — a malária responde por cerca de 17% das mortes após o primeiro mês de vida.

A desnutrição aparece como fator crítico: cerca de 100 mil crianças morreram diretamente por desnutrição aguda grave em 2024, com maior incidência em países como Paquistão, Somália e Sudão. Além disso, a condição está associada a uma parcela significativa das mortes por outras doenças.

Cortes agravam cenário

O relatório destaca que todas essas causas são evitáveis com vacinação, acesso a cuidados básicos e fortalecimento dos sistemas de saúde. No entanto, a redução do financiamento internacional tem levado ao fechamento de unidades médicas.

Dados do Global Health Cluster indicam que 6.600 instalações de saúde foram impactadas por cortes em 2024, sendo que um terço teve de encerrar atividades.

— Os cortes na ajuda humanitária estão levando ao aumento de mortes evitáveis e ameaçando serviços essenciais — afirmou Abdurahman Sharif.

Especialistas alertam que o cenário atual pode reverter avanços conquistados nas últimas décadas. Além da falta de financiamento, conflitos armados e a crise climática ampliam a pressão sobre sistemas de saúde já fragilizados.

Para Danzhen You, a combinação desses fatores compromete programas de vacinação, combate à malária, nutrição e cuidados no período neonatal.

— Quando o financiamento é reduzido, os serviços são interrompidos e a vida das crianças fica mais vulnerável — disse.

A avaliação da ONU é de que, sem investimento contínuo, o mundo não apenas deixará de atingir a meta de 2030, como poderá assistir a um retrocesso nos indicadores de sobrevivência infantil.