Durante anos, 1,5°C foi tratado como a temperatura limite do aquecimento global. Mas o que antes era apresentado como um alerta, agora começou a se tornar realidade. E a Organização das Nações Unidas admitiu que o planeta caminha para ultrapassar esse patamar nos próximos anos.
ONU aprova adoção de novo mapa-múndi com verdadeiras dimensões da África O calor e as chuvas se intensificam, enquanto a seca demora mais para ir embora. São florestas, cidades, rios e vidas submetidos a uma pressão cada vez maior. É o que explica Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima: "Ultrapassar a meta do Acordo de Paris de 1,5° é algo gravíssimo, porque ele não é um número à toa. Ele é um número baseado em projeções científicas, baseado na capacidade de resiliência, de recuperação de ecossistemas ao redor do planeta. E significa que a gente cruzando essa barreira do 1,5°, a gente coloca diversas dessas regiões à beira de estados de colapso. Significa que muitos lugares perdem a sua capacidade de adaptação ao redor do mundo", conta.
Ainda de acordo com Marcio Astrini, a expectativa é de que os efeitos climáticos extremos vão acontecer cada vez com mais intensidade. Para lidar com a situação, os países se juntam há 30 anos em conferências para discutir as urgências climáticas.
O especialista explica qual o efeito de tais reuniões: "Muito avanço foi conquistado. Nós não podemos dizer que toda a lição de casa foi entregue, senão a gente não estaria nessa condição de ultrapassar essa marca e os números também, eles são números negativos que vão se acumulando ano a ano. Nós estamos batendo recordes de concentração de gases que provocam o efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta. Os 11 anos mais quentes já vivenciados na história de medições do planeta são exatamente os últimos 11 anos. Então, é óbvio que os países não estão fazendo tudo aquilo que podem. Se a gente não perseguir essas ideias, essas ações, a gente não colocar isso em prática, nós estamos condenando milhões de pessoas a viver em zonas de extremo risco climático ao redor do planeta", diz.
O fato é que o planeta já esquentou e, agora, será preciso desenvolver medidas para lidar com as consequências e adaptar regiões, especialmente as mais vulneráveis.
Especialistas falam em mitigar os causadores, para que não piore a situação. Nas projeções mais otimistas da ONU, a expectativa é de que a temperatura média da superfície terrestre cresça até 1,8°C ainda neste século.
CBN