ONG denuncia ao menos 27 mortos em manifestações no Irã

 

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Pelo menos 27 manifestantes, incluindo cinco menores de idade, morreram desde o início dos protestos no Irã, no final de dezembro, segundo um balanço divulgado nesta terça-feira pela ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega. A IHR acusa as forças de segurança de terem matado pelo menos seis pessoas em um único incidente no sábado, quando abriram fogo contra manifestantes no distrito de Malekshahi, na província de Ilam, no oeste do país.

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"Pelo menos 27 manifestantes morreram por disparos ou outras formas de violência perpetradas pelas forças de segurança em oito províncias", escreveu a organização em seu site após dez dias de protestos, acrescentando que mais de mil pessoas foram presas.

A organização relata que, no domingo, as forças de segurança invadiram um hospital em Ilam para onde manifestantes feridos de Malekshahi haviam sido levados e prenderam várias pessoas.

Em todo o país, os protestos se espalharam por pelo menos 26 das 31 províncias do Irã, com manifestações de estudantes em mais de 20 universidades, segundo a IHR. De acordo com comunicados oficiais divulgados pela mídia iraniana, pelo menos 12 pessoas morreram desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança.

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"A República Islâmica tem um histórico documentado de repressão sangrenta e assassinatos em massa de manifestantes em levantes anteriores", disse Mahmod Amiry Moghadam, diretor da IHR.

A ONG já confirmou mais de 550 mortes durante a repressão ao movimento de protesto de 2022-2023 no Irã.

"Considerando que o regime está agora mais instável do que nunca e teme seriamente por sua sobrevivência, há grande preocupação de que a escala da repressão desta vez possa ser ainda mais violenta e generalizada do que antes", acrescentou.

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O movimento de protesto, inicialmente ligado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro, em Teerã, e desde então se espalhou para o restante do país, com reivindicações políticas. Os protestos atingem ou já atingiram, em diferentes graus, ao menos 45 cidades, principalmente pequenas e médias, localizadas sobretudo no oeste do país, de acordo com a AFP, levando em consideração comunicados oficiais e informações vindas da imprensa.

A agência de notícias Fars escreveu nesta segunda-feira que "a tendência observada na noite de domingo é uma diminuição significativa do número de concentrações e de sua extensão geográfica em relação às noites anteriores".

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A imprensa iraniana informou, nos últimos dias, sobre atos de violência e danos materiais, registrados principalmente no oeste do país, a várias centenas de quilômetros de Teerã. Ao menos 12 pessoas morreram desde 30 de dezembro em confrontos, incluindo integrantes das forças de segurança, segundo um balanço baseado em comunicados oficiais.

Os incidentes não são noticiados de forma detalhada, o que dificulta a avaliação dos fatos. Vídeos das mobilizações circulam nas redes sociais, mas nem todos conseguem ser verificados. E a moeda nacional, o rial, perdeu mais de um terço de seu valor em relação ao dólar em um ano, e uma inflação de dois dígitos vem enfraquecendo há anos o poder de compra da população iraniana.