ONG alerta Meta sobre falha em detectar anúncios com desinformação no Facebook - QTU Questões do Universo

ONG alerta Meta sobre falha em detectar anúncios com desinformação no Facebook

Fonte: Bandeira da fonte

Às vésperas das eleições presidenciais, Congresso e câmaras estaduais um experimento da Anistia Internacional colocou à prova os mecanismos de moderação de anúncios do Facebook e apontou falhas na identificação de conteúdos com desinformação eleitoral.
Em resposta, a big tech argumentou que a amostragem foi "muito pequena".

Oito dos 15 anúncios submetidos pela organização à plataforma, redigidos em português e direcionados exclusivamente à população brasileira em idade de votar, continham informações falsas relacionadas às eleições no Brasil e foram aprovados para publicação.
Os outros sete foram rejeitados por questões relacionadas às políticas de anúncios da plataforma, mas não especificamente pelo conteúdo desinformativo.
Apenas um dos anúncios era neutro, sem nenhum tipo de desinformação.

Entre os conteúdos testados, sete apresentavam alegações enganosas sobre candidatos e instituições eleitorais, incluindo acusações de que determinados candidatos estariam fraudando a eleição e questionamentos sobre a integridade do sistema de votação.
Outros sete continham informações falsas que poderiam interferir na capacidade de os eleitores votarem, como dados incorretos sobre quando e como votar ou sobre quais candidatos estavam concorrendo à eleição.

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Dos oito conteúdos aceitos para publicação, quatro se concentravam exclusivamente na categoria de “deslegitimação eleitoral”.
Outros dois pertenciam à categoria de “autoritarismo com foco na segurança”, que inclui desinformação com apelos à intervenção militar ou à não participação nas eleições.
Os outros dois combinavam elementos das três categorias analisadas pela organização.

A diretora-executiva da organização, Jurema Werneck, classificou o fato como "profundamente alarmante".

— Isso mostra que a Meta não está fazendo o suficiente para impedir que sua plataforma seja um vetor de desinformação, ao mesmo tempo em que continua lucrando com os sistemas de conteúdo e publicidade que possibilitam sua disseminação — diz Werneck.

O experimento também identificou problemas nos sistemas de segurança para anúncios eleitorais.
Segundo a organização, os conteúdos puderam ser enviados sem que fosse declarado que se enquadravam nas Categorias Especiais de Anúncios do Facebook, exigência prevista pela legislação eleitoral brasileira e pelas próprias políticas da Meta para publicidade relacionada a questões sociais, eleições ou política.

A conta utilizada no experimento também não havia concluído o processo de verificação de identidade da Meta.
Com isso, os anúncios puderam ser enviados sem a identificação “Pago por”, exigida pela própria plataforma para conteúdos relacionados às eleições.

Responsabilização da Meta
O documento da Anistia Internacional também aborda normas internacionais segundo as quais as empresas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos, evitar causar ou contribuir para impactos adversos sobre esses direitos e não estar diretamente associadas a eles.

A organização afirma que a Meta deve garantir que seus sistemas de moderação impeçam a circulação de conteúdos falsos que possam prejudicar o direito à informação e à participação política.
Também cobra transparência e uma avaliação contínua dos riscos aos direitos humanos.

Segundo a entidade, o modelo de negócios da Meta depende da coleta de dados para direcionar publicidade, atividade que representou 98% da receita da empresa no primeiro trimestre de 2026.
Diante das eleições brasileiras, a Anistia pede que a plataforma reforce a moderação em português brasileiro, especialmente na análise de anúncios, e publique uma avaliação específica sobre os riscos de seus sistemas para a participação política e o acesso à informação no país.

Ao Globo, a Meta, empresa responsável pelo Facebook, afirmou que o relatório da ONG “se baseou em uma amostra muito pequena de anúncios que nunca foram publicados nem vistos por nenhum usuário em nossas plataformas, e não reflete a escala do nosso trabalho”.
A empresa disse ainda que seu processo de análise de anúncios possui “diversas camadas de análise e detecção, antes e depois deles serem publicados”.

A Meta também afirmou que investe “recursos significativos” para proteger o processo eleitoral de 2026 no Brasil, incluindo medidas de transparência em publicidade e protocolos para anúncios sobre questões sociais, eleições ou política.
Segundo a empresa, esses esforços continuarão ao longo do período eleitoral.