Onde o Irã já atacou? Saiba os locais no Oriente Médio atingidos na retaliação iraniana; oito morrem em Israel
Os ataques retaliatórios do Irã contra Israel, bases militares dos Estados Unidos e países do Golfo já atingiram ao menos 16 locais no Oriente Médio entre sábado e domingo. O episódio mais recente ocorreu no centro de Israel, onde oito pessoas morreram após um míssil iraniano atingir diretamente um prédio residencial, segundo os serviços de emergência israelenses. Mais de 20 pessoas ficaram feridas. No total, mais de 200 pessoas morreram no Irã desde o início da ofensiva americana e israelense, de acordo com o Crescente Vermelho Iraniano.
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A escalada começou no sábado, quando Estados Unidos e Israel bombardearam alvos militares e nucleares iranianos, alegando a necessidade de conter o programa de mísseis e as ambições nucleares de Teerã. Nos ataques iniciais, foi morto o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, o que provocou uma resposta militar imediata do país e ampliou o risco de um conflito regional.
Autoridades iranianas reagiram com tom de desafio. A televisão estatal leu uma declaração do Conselho Supremo de Segurança Nacional afirmando que o “martírio” de Khamenei desencadeará uma revolta contra os inimigos do país. A Guarda Revolucionária declarou que a morte do líder reforçará a determinação do Irã e prometeu punir Estados Unidos e Israel.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que retaliar é um “direito legítimo” do país. Já o chefe de segurança Ali Larijani afirmou que novos ataques estão sendo preparados. Em Washington, o presidente Donald Trump advertiu o Irã a não ampliar a ofensiva e afirmou que, caso isso ocorra, os Estados Unidos responderão com uma força “nunca vista”.
Onde o Irã atacou
O mapa dos ataques retaliatórios do Irã contra Israel, bases militares dos Estados Unidos e países do Golfo
Arte O Globo
A retaliação iraniana se espalhou por diferentes pontos do Oriente Médio e atingiu ao menos 16 locais, entre cidades, bases militares e infraestruturas estratégicas. Segundo autoridades da região e dos Estados Unidos, mísseis e drones foram lançados contra Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Arábia Saudita, Iraque e instalações militares ligadas ao Reino Unido no Chipre, além de alvos próximos ao Estreito de Ormuz.
Em Israel, sirenes de alerta foram acionadas repetidas vezes entre a noite de sábado e a manhã de domingo. No ataque mais recente, um míssil iraniano atingiu diretamente um edifício na região de Bet Shemesh, no centro do país, que desabou parcialmente. Equipes de resgate confirmaram a morte de oito pessoas e informaram que 23 feridos foram retirados dos escombros, alguns em estado grave. Autoridades disseram que o impacto provocou danos extensos na área.
Em Dubai, repórter do GLOBO fala sobre o clima de tensão nos Emirados Árabes Unidos durante ataques iranianos
No Golfo, o Irã lançou ataques contra bases militares usadas pelos Estados Unidos. Entre os alvos estavam a base aérea de Al Udeid, no Catar; Ali Al Salem, no Kuwait; Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos; e o quartel-general da Quinta Frota americana, no Bahrein, segundo a agência Fars. O Comando Central dos EUA afirmou que centenas de mísseis e drones foram interceptados e que os danos às instalações foram limitados.
Os Emirados Árabes Unidos estão entre os países mais afetados pela ofensiva. O Ministério da Defesa afirmou ter interceptado 137 mísseis e 209 drones lançados pelo Irã. Em Dubai, um incidente atingiu um prédio em Palm Jumeirah, bairro de alto padrão formado por ilhas artificiais em formato de palmeira, deixando quatro feridos e provocando um incêndio controlado pela Defesa Civil. Destinos turísticos e áreas estratégicas também registraram impactos: destroços de drones provocaram incêndios no hotel Burj Al Arab e em estruturas no porto de Jebel Ali, que recebe navios militares americanos.
A infraestrutura aérea também foi afetada. O Aeroporto Internacional de Dubai registrou danos leves em um saguão e ferimentos em funcionários, enquanto um incidente no Aeroporto Internacional Zayed, em Abu Dhabi, deixou um morto e vários feridos. Autoridades não confirmaram se os locais foram atingidos diretamente por projéteis ou por destroços de interceptações. Com o fechamento temporário dos aeroportos, milhares de turistas ficaram retidos no país.
No Catar, explosões foram ouvidas em Doha e o governo classificou o episódio como uma “violação flagrante” de sua soberania. O Bahrein afirmou ter interceptado dezenas de mísseis e drones no domingo, embora imagens verificadas pelo New York Times indiquem que um projétil atingiu uma torre residencial.
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Em Omã, drones atingiram o porto comercial de Duqm, ferindo um trabalhador, e um petroleiro foi atacado próximo à península de Musandam, neste domingo, deixando quatro feridos e levando à evacuação da tripulação. Explosões também foram relatadas em Riade, na Arábia Saudita, enquanto um drone teria como alvo uma base americana em Erbil, no Iraque.
Autoridades britânicas afirmaram ainda que mísseis iranianos atingiram uma base aérea do Reino Unido em Akrotiri, no Chipre, enquanto novos alertas e interceptações continuaram sendo registrados em países do Golfo ao longo de domingo.
Incêndio em Dubai
Escalada após morte do líder iraniano
A morte de Khamenei se tornou o ponto central da crise. A mídia estatal iraniana confirmou o falecimento e decretou 40 dias de luto nacional, enquanto manifestações e protestos ocorreram em vários países da região.
Em Karachi, no Paquistão, confrontos ocorreram perto do consulado americano e deixaram mortos, segundo a AFP. Em Bagdá, manifestantes tentaram invadir a área onde fica a embaixada dos Estados Unidos.
Enquanto isso, Israel continuou a bombardear alvos no Irã durante a madrugada de domingo, incluindo lançadores de mísseis balísticos, segundo o Exército israelense. Autoridades israelenses afirmam que o país possuía cerca de 2.500 mísseis terra-terra no início da campanha militar.
O governo iraniano acusa Washington e Tel Aviv de violar o direito internacional e levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU. Estados Unidos e Israel, por sua vez, afirmam que a operação busca neutralizar uma ameaça iminente e impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Com ataques ocorrendo em diferentes frentes e promessas de novas retaliações, líderes internacionais temem que o confronto se transforme em um conflito regional de grandes proporções.
