Onda de furtos no Fundão assusta alunos e professores e ameaça aulas noturnas na UFRJ

 

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Professores e alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro têm relatado uma sequência de roubos e furtos no estacionamento do Centro de Tecnologia, no Fundão, durante o período noturno. As denúncias apontam que criminosos aproveitam a baixa circulação de pessoas e a falta de iluminação em algumas áreas para arrombar veículos e levar desde objetos pessoais até peças automotivas, como estepe e bateria.

De acordo com relatos de docentes, os casos vêm se intensificando nos últimos meses. Em alguns episódios recentes, o padrão se repete: os bandidos quebram o vidro traseiro dos carros, acessam o interior dos veículos e reviram tudo em busca de itens de valor. Relatos coletados pela CBN dão conta de ao menos três professores e três alunos vítimas do crime nos últimos dias.

Um dos casos mais preocupantes aconteceu na última quarta-feira, dia 1º, por volta das 20h. O professor Raoni Schroeder, do Instituto de Química, contou que encontrou um homem dentro do próprio carro ao deixar o prédio onde leciona. Por pouco, ele não acessou o veículo com o bandido dentro. Raoni conta que o episódio foi traumático.

“Eu vi um sujeito sentado no banco de trás do carro, a janela estava abaixada. Fiquei com medo de ser uma emboscada, alguma coisa, e já fui me afastando rápido do carro e voltei para dentro do prédio. Nesse horário, o estacionamento fica deserto, é escuro. O carro estava todo revirado por dentro, abriu porta-luvas, mexeu em tudo, mas ele não levou nada porque não tinha nada de valor. A situação está crítica já há um tempo, desde o início deste ano. É fundamental que seja aumentado o policiamento dentro da universidade. É muito complicado ter que trabalhar sem saber o que vai acontecer no momento em que você está saindo do trabalho para voltar para casa.”

Outros docentes relatam prejuízos mais significativos. Há registros recentes de furtos de estepe, baterias e pertences deixados dentro dos veículos. Em alguns casos, professores afirmam que foram vítimas mais de uma vez. A sensação, segundo eles, é de vulnerabilidade crescente dentro do campus.

Carlos Eduardo é aluno do curso de graduação em Engenharia Química da UFRJ e passa o dia todo na faculdade. Ele teve o carro arrombado e, na falta de itens para levar, os bandidos levaram a bateria do veículo. O estudante conta que o episódio causou um grande prejuízo, além da situação de medo vivida na universidade.

“O prejuízo é grande: uma bateria foi 400 e poucos reais, o vidro quebrado foi 500 reais. Eu sou aluno, minhas economias foram para reparar o vidro e recuperar a bateria. Há uma série de relatos sobre assaltos à mão armada nos pontos de ônibus, entre outras situações. A própria violência, com tiroteios, deixa todos os alunos inseguros. O carro era uma forma de eu me blindar dessa realidade, por assim dizer, e agora a gente vê que não está isento, porque não há segurança nem no entorno dos prédios.”

A insegurança tem impactado diretamente a rotina acadêmica, especialmente nos cursos noturnos. Professores ouvidos pela reportagem afirmam que já discutem a possibilidade de suspender atividades à noite caso nenhuma medida seja adotada.

Em nota, a Polícia Militar informou que o 17º BPM realiza policiamento ostensivo na Cidade Universitária e que a segurança da região é prioridade da unidade. Segundo a corporação, as equipes têm intensificado abordagens e revistas na área. A PM também destacou que casos não flagrados dependem de registro formal para que sejam investigados.

Procurada, a universidade ainda não se manifestou sobre as denúncias e as possíveis medidas para reforçar a segurança no campus.