Onda de calor extremo na Europa é ‘lembrete brutal’ da crise climática, diz ONU
Uma onda de calor precoce que atinge partes da Europa Ocidental levou o chefe climático da ONU, Simon Stiell, a classificar nesta quarta-feira os eventos como “um lembrete brutal dos impactos crescentes da crise climática”. França e Reino Unido registraram nesta semana os dias mais quentes já observados no mês de maio, enquanto temperaturas escaldantes, normalmente associadas ao auge do verão, se espalharam por países da região.
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Com temperaturas persistentemente acima dos 30°C em grande parte do norte da Europa e previsão de nova alta na quinta-feira, Stiell, que é secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, afirmou que o “principal culpado” pelas ondas de calor extremas é a queima de carvão, petróleo e gás — amplamente reconhecidos como os principais motores das mudanças climáticas.
“A ciência é clara ao mostrar que as mudanças climáticas causadas pela ação humana estão tornando essas ondas de calor mais frequentes e extremas”, afirmou ele em nota, destacando as condições extremas que a atingem a Índia, onde equipes combatem incêndios florestais e autoridades locais relataram mortes por insolação.
A plataforma de monitoramento de qualidade do ar AQI registrou que as 45 cidades mais quentes do mundo nesta quarta estavam todas na Índia — e todas acima de 43°C.
“Proteger vidas humanas, empresas e economias do calor extremo e dos muitos outros custos crescentes das mudanças climáticas é uma tarefa central para todas as nações”, continuou Stiell, enfatizando, ainda, que a guerra no Irã expôs os custos da dependência de combustíveis fósseis e a necessidade de migrar para fontes de energia mais limpas.
Temperaturas elevadas
Na Europa, as temperaturas permaneceram acima de 30°C em grande parte do norte do continente, com previsão de nova alta na quinta-feira. França, Espanha e Reino Unido enfrentaram temperaturas normalmente registradas em julho ou agosto.
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Na França, o serviço meteorológico Météo-France informou que uma “cúpula de calor” — fenômeno em que uma massa de alta pressão aprisiona o ar quente — estava produzindo temperaturas entre 10°C e 13°C acima do normal para esta época do ano. A previsão era de máximas de até 39°C no sul do país nesta quinta-feira.
Treze dos 96 departamentos administrativos franceses foram colocados sob alerta laranja para altas temperaturas, o segundo nível mais elevado, enquanto outros 29 ficaram sob alerta amarelo.
O país também registrou nesta semana a maior temperatura média nacional já observada para o mês de maio. Na terça, o índice térmico médio nacional atingiu 24,9°C, superando os 24,6°C registrados na segunda, que já tinham estabelecido um recorde.
As autoridades francesas relataram ao menos sete mortes relacionadas à onda de calor. Cinco delas ocorreram por afogamento, enquanto muitas pessoas buscavam alívio em áreas de banho. Outras duas mortes foram de participantes de eventos esportivos.
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No Reino Unido, uma temperatura de 35,1°C foi registrada em Kew Gardens, em Londres, na terça-feira, segundo o Met Office, o serviço meteorológico britânico. O número superou o recorde de 34,8°C registrado um dia antes e ultrapassou com folga a marca anterior de 32,8°C, observada em 1922 e igualada em 1944.
O país ainda teve outra “noite tropical” recordista na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, onde a temperatura durante a madrugada não caiu abaixo de 21,4°C. Pelo menos quatro adolescentes morreram afogados desde domingo.
Na Espanha, onde as temperaturas podem chegar a 40°C nesta semana, foi emitido um alerta laranja para o País Basco diante da previsão de máximas de até 37°C na região norte nesta quarta-feira. Temperaturas entre 36°C e 38°C também eram esperadas em regiões do sul do país.
A agência meteorológica estatal espanhola, Aemet, disse que temperaturas normalmente observadas em julho já haviam sido registradas em diversas partes do país e que o calor era “mais característico da canícula, o período mais quente do ano”.
— Tanto este episódio quanto o padrão atmosférico que o está provocando fazem parte das mudanças climáticas e do que vem sendo observado nos últimos anos — afirmou o porta-voz da Aemet, Rubén del Campo.
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A Irlanda também registrou temperaturas recordes para maio, incluindo uma máxima de 28,8°C na segunda-feira.
Recordes ‘impressionantes’
Cientistas afirmam que, à medida que a Terra aquece, eventos de calor extremo historicamente restritos ao auge do verão estão se tornando mais frequentes e intensos, além de ocorrerem mais cedo e mais tarde ao longo do ano, colocando mais pessoas em risco.
O diretor de pesquisa climática da Universidade Maynooth, Peter Thorne, afirmou que os recordes observados no Reino Unido e na França eram “absurdamente impressionantes”.
— Sabemos, sem qualquer sombra de dúvida, que eventos como este se tornaram mais prováveis e mais severos devido às mudanças climáticas provocadas pelas emissões de gases de efeito estufa que retêm calor — disse ele ao jornal britânico The Guardian. — Ainda assim, muitos dos recordes que estão sendo estabelecidos, particularmente no Reino Unido e na França, são absurdamente impressionantes. (Com AFP)
