Oncoclínicas: CEO diz que 'prioridade absoluta' é manter atendimento a pacientes, que relatam tratamentos adiados

 

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Em videoconferência com analistas na manhã desta sexta-feira, o CEO da Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, afirmou que a "prioridade absoluta" da companhia é manter o atendimento aos pacientes. A rede de clínicas oncológicas encerrou 2025 com um prejuízo de R$ 3,67 bilhões, segundo balanço divulgado na noite de quinta-feira. A crise financeira da empresa tem causado o adiamento de sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia dos pacientes.

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O executivo justificou que a empresa opera num "cenário de pressão de liquidez", mas que a administração tem tomado decisões para resolver o quadro. As medidas, segundo ele, estão focadas na captação de recursos e reorganização financeira para priorizar a operação ambulatorial.

Ele citou, por exemplo, a venda do Uberlândia Medical Center, em fevereiro, e a negociação para venda do Hospital Vila da Serra, em Belo Horizonte. Além disso, projetos de cancer centers foram cancelados em São Paulo e na capital mineira.

— A prioridade absoluta da companhia nesse momento é manter a sua atividade operacional na ponta, ambulatorial, de atendimento dos pacientes — afirmou Ferreira.

Enquanto a situação financeira da Oncoclínicas se deteriora, se multiplicam os relatos de pacientes ou de familiares em meio aos adiamentos das sessões. Em comum, justificativas de "indisponibilidade temporária de estoque de alguns medicamentos".

A pensionista Sueli de Lima Gazoni, de 57 anos, tinha uma sessão de imunoterapia agendada para a última semana numa unidade da rede no Rio. O tratamento, porém, foi adiado para esta quinta-feira mas na véspera a filha dela, Juliana Rocha, foi avisar por mensagem que a sessão seria novamente reagendada pela falta do medicamento.

Sueli trata há dois anos de um câncer no intestino. Ela já passou por cirurgia e sessões de quimioterapia.

— O paciente oncológico já está sujeito a certos adiamentos, seja por um exame que não está bom, ou para o corpo se recuperar. Adiar por não ter o medicamento, numa clinica oncológica, é algo surreal — reclama Juliana. — É câncer, e não gripe ou dor de cabeça. É uma doença que desgasta o paciente, a família e agora ela ainda tem que lidar com isso. Me sinto numa mistura de impotência, raiva e muito medo.

A professora Mônica Ferreira passa por cenário semelhante. São seis anos em tratamento oncológico. O câncer começou nos ovários para se espalhou para o abdômen. As infusões de imunoterapia acontecem a cada 21 dias. Ela lembra que as instabilidades nas sessões começaram em novembro.

Da última vez, a sessão estava marcada para 13 de março, foi adiada para o dia 27 e seria novamente reagendada para o dia 31, mas Mônica reclamou e conseguiu ser atendida na data prevista.

— Isso inviabiliza o tratamento. Ao mesmo tempo, a resposta que recebemos é que os casos estão sendo tratados com prioridade. Mas o que é prioridade quando se tem câncer? Além disso, não dá para simplesmente mudar as datas. Não é simples. A gente precisa se organizar, ter um acompanhante, tem toda uma logística envolvida — desabafa.

Perdas com Master e Unimed

Em relatório divulgado junto com os resultados de 2025, os diretores da Oncoclínicas admitiram que a companhia "está em um cenário de incertezas significativas da continuidade operacional", e citaram como justificativas R$ 430,8 milhões perdidos após investimentos no Banco Master (liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central) e também a inadimplência da Unimed Ferj, que somou R$ 861 milhões.