Onco Baixada, hospital para tratamento de câncer, será inaugurado nesta quarta em Nova Iguaçu e começa a atender após o carnaval
Já são seis meses de idas e vindas na rotina diária de uma vendedora que prefere não se identificar, aguardando cirurgia. Moradora de Caxias, na Baixada Fluminense, ela foi diagnosticada com câncer de mama ano passado e, junto com outros 1.125 pacientes, podem, enfim, ter o tratamento que merecem e têm direito. São moradores da região Metropolitana I (capital + Baixada) que aguardam na fila do sistema estadual de Regulação (SER) para a primeira consulta ambulatorial em oncologia. A boa notícia é que, nesta quarta-feira, será inaugurado o primeiro hospital estadual voltado ao tratamento de câncer, o Instituto Estadual Oncológico da Baixada Fluminense (Onco Baixada), em Nova Iguaçu.
— É um alívio — diz ela — A Baixada, tradicionalmente, dependia da capital para tratamento, mas com o novo Onco Baixada vai dar uma desafogada.
Os atendimentos começam no próximo dia 19, logo após o carnaval. Inicialmente, a unidade vai atender pacientes para primeira consulta em neoplasias de mama, próstata, urologia em geral, pele, tireoide e coloproctologia.
— A entrega escalonada assegura a abertura responsável do serviço — diz o diretor da Fundação Saúde, unidade gestora do hospital, Paulo Ricardo Lopes da Costa.
Quando o Onco Baixada estiver funcionando plenamente, Quando estiver funcionando em sua totalidade, a previsão é realizar cinco mil consultas ambulatoriais, 300 cirurgias e 340 internações por mês
Divulgação/Maurício Bazílio/Governo do estado
De imediato, serão atendidos ao menos de 30 a 40 pacientes (apenas para primeira consulta ambulatorial) e, de acordo com o andamento dos tratamentos, em dois meses terão início as cirurgias. Quando estiver funcionando em sua totalidade, a previsão é que a unidade realize cinco mil consultas ambulatoriais, 300 cirurgias e 340 internações por mês.
— A unidade também vai receber pacientes de outras regiões, inclusive do interior — explica a secretária estadual de Saúde, Claudia Mello.
Serão 115 médicos terceirizados, no corpo de cerca de mil funcionários, incluindo enfermeiros e prestadores de serviço. Dos 101 leitos, 81 são de enfermaria, dez de UTI, oito leitos de emergência e duas salas de emergência, com um leito cada.
A unidade também contará com 19 consultórios médicos, 15 e quatro salas de triagem — para casos de urgência. Ao todo, serão 24 espaços para quimioterapia, com 21 poltronas e três leitos. No ambulatório de radioterapia, haverá quatro leitos de repouso e uma sala de exame. O serviço de PET Scan contará com quatro boxes de ativação/exames por vez e uma sala de aplicação.
O prédio, de quatro andares, ocupa uma área de 12 mil metros quadrados, que somados ao Rio Imagem chegam a 16 mil metros quadrados de área construída. O investimento é de R$ 87,3 milhões, com recursos do estado.
Enfermaria do Onco Baixada: dos 101 leitos, 81 são de enfermaria, dez de UTI, oito leitos de emergência e duas salas de emergência
Divulgação/Maurício Bazílio/Governo do estado
Em média, cerca de 90 pessoas por dia recebem diagnóstico de câncer no estado, segundo a Secretaria estadual de Saúde. Em 2024, o número de pessoas na fila por consultas, exames ou cirurgias na rede pública ultrapassou 427 mil.
À medida que a população fluminense envelhece, o setor de saúde fica mais inchado, e o atendimento a pessoas com câncer mais encolhido. A lei 12.732/2012 garante aos pacientes com neoplasia maligna o direito ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias. Mas, na prática, não é isso o que acontece.
No caso do aposentado Edson Zacarias da Silva, 76 anos, não foi aconselhada a cirurgia em razão da idade. Mas quimioterapia e radioterapia sim. Morador de Nova Iguaçu, ele é mais um que sente alívio ao saber que a Baixada vai ter um hospital para tratamento de câncer:
— Passo um sufoco, enfrento trem lotado, mesmo com a doença muitas vezes vou de pé para o Inca, na Praça da Cruz Vermelha dar seguimento ao tratamento.
Zacarias descobriu um câncer de próstata há quatro anos e, há dois, tem vindo ao Rio todos os dias para realizar o tratamento. A mais ou menos 40km de sua casa. Atualmente, ele só faz manutenção.
Ainda sobre o desconforto do deslocamento, Karina Silva, 40 anos, moradora de Mesquita, vendedora de automóveis, casada e mãe de uma menina de 4 anos, faz seu tratamento de câncer de mama no Hospital do Andaraí:
— Recebi o diagnóstico em outubro de 2025, quatro dias antes do meu aniversário. Foi uma notícia muito dolorosa, o impacto foi grande, porque ninguém está preparado para ouvir algo assim. Quando meu cabelo começou a cair, minha família inteira raspou a cabeça comigo. No momento do diagnóstico, eu já estava sendo orientada, com exames marcados e a garantia de que o tratamento realmente aconteceria.
