A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira (12) para a rápida disseminação do surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), com um número crescente de mortes ocorrendo fora das unidades de tratamento e sem registro prévio nas listas de rastreamento.
O cenário aponta para a existência de cadeias de transmissão ainda desconhecidas e levou o site oficial da ONU a definir a situação como uma transmissão "fora de controle".
Embora o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, não tenha utilizado essa expressão em sua fala a jornalista em Genebra, ele afirmou que o surto avança em ritmo alarmante e pode se tornar ainda mais grave do que a epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.
Até o momento, foram registrados 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes em cinco províncias e 53 zonas de saúde.
A província de Ituri concentra cerca de 90% dos casos e 80% dos óbitos.
A transmissão permanece ativa em cidades como Bunia, Rwampara, Nizi e Lita.
O dado considerado mais preocupante pela OMS é a quantidade de pessoas que estão morrendo nas próprias comunidades, longe dos hospitais e das unidades de tratamento.
Muitas dessas vítimas também não estavam entre os contatos previamente identificados pelas equipes de saúde.
O fenômeno sugere que o vírus esteja circulando por cadeias de transmissão que ainda não foram detectadas pelas autoridades.
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Transmissão ocorre em momentos de maior vulnerabilidade
Segundo Tedros, boa parte dos novos contágios acontece quando familiares cuidam de pessoas infectadas dentro de casa ou durante os preparativos para os funerais.
Por isso, a realização de sepultamentos seguros e dignos é considerada uma das principais medidas para interromper a circulação do vírus.
A estratégia, porém, depende da colaboração da população.
Para a OMS, a confiança das comunidades afetadas é fundamental para que pessoas com sintomas sejam identificadas rapidamente, contatos sejam rastreados e os mortos sejam submetidos a procedimentos seguros.
A meta da resposta emergencial é aumentar a proporção de contatos acompanhados pelas equipes de saúde de 80% para 95%, reduzindo o número de possíveis casos que permanecem fora do radar das autoridades.
OMS amplia resposta ao surto
A organização também pretende expandir rapidamente a capacidade de atendimento.
O plano prevê triplicar o número de leitos disponíveis, chegando a 3 mil nas próximas 12 semanas.
Mais de 21 mil agentes comunitários de saúde já foram capacitados para identificar pessoas com sintomas suspeitos e encaminhá-las para atendimento.
Apesar da gravidade do cenário, há sinais de avanço no combate à doença.
Pelo menos 886 pacientes já se recuperaram do Ebola, mesmo diante da disponibilidade limitada de tratamentos específicos.
A pesquisa também avança.
Duas novas vacinas desenvolvidas contra a cepa Bundibugyo do vírus entraram na primeira fase de testes clínicos em humanos, etapa destinada principalmente a avaliar segurança e resposta inicial do organismo.
OMS pede US$ 518 milhões
Para manter a operação, a OMS afirma que é necessário garantir o financiamento do Plano de Resposta e Preparação Continental, estimado em US$ 518 milhões.
Até agora, cerca de US$ 264 milhões foram disponibilizados.
A organização sustenta que a contenção do surto dependerá da combinação entre rastreamento rápido, ampliação da capacidade de tratamento, desenvolvimento científico, financiamento e participação das comunidades.
