Surto mortais, como o do vírus Ebola Bundibugyo, que se está a espalhar atualmente em África, mostram a necessidade urgente de concluir um tratado internacional sobre pandemias, afirmou na segunda-feira o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma reunião negocial em Genebra.
Países ricos e países em desenvolvimento continuam em desacordo sobre a forma como o Tratado sobre Pandemias, adotado no ano passado como quadro para lidar com futuras pandemias semelhantes à COVID-19, deverá funcionar na prática. Quando os países aprovaram o Acordo sobre Pandemias em maio de 2025, deixaram de fora a questão delicada de saber como funcionaria o seu principal mecanismo, para conseguirem levar o acordo até ao fim.
O sistema de Acesso a Patogénios e Partilha de Benefícios (PABS) previsto no acordo regula a forma como se podem obter patogénios com potencial pandémico e como são distribuídos os produtos deles derivados, como vacinas, testes e tratamentos. Apontando para vários surtos recentes de doenças mortais causados pela nova estirpe de Ebola e pelo hantavírus, Tedros sublinhou que concluir um tratado sobre pandemias “tem a ver com proteger as pessoas”.
“Uma ameaça de patogénio em qualquer lugar pode tornar-se uma ameaça em todo o lado, para pessoas de todos os países”, afirmou, segundo a versão escrita da sua declaração. “O surto de hantavírus no início deste ano e a epidemia de Ebola em curso na RDC lembram-nos essa ameaça.”
Tedros salientou que, durante a pandemia de COVID-19, “o mundo desenvolveu vacinas em tempo recorde, mas demasiados países ficaram à espera enquanto outros garantiram muito mais do que precisavam”. “O acesso atempado a vacinas e a medicamentos a preços comportáveis foi uma preocupação recorrente levantada pelos Estados-membros durante as minhas reuniões nas seis regiões da OMS”, afirmou Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, atualmente em licença especial por estar a concorrer ao cargo de diretor-geral da OMS.
“É por isso que precisamos de um sistema em que os países possam partilhar rapidamente amostras de patogénios e dados, garantindo ao mesmo tempo que as vacinas, os testes e os tratamentos desenvolvidos a partir deles são partilhados de forma justa”, afirmou numa publicação na X (fonte em inglês), acrescentando que o mundo não pode permitir-se repetir as desigualdades que testemunhámos durante a pandemia de COVID-19.
Euro News