'Olimpíadas do Doping' decepcionam com apenas um 'recorde mundial batido'

 

Fonte: Bandeira



A ideia era bater recordes e recordes, mas os Enhanced Games (Jogos Turbinados, ou "Olimpíadas do Doping") foram um grande fracasso.

Apenas um recorde mundial foi "quebrado" durante o evento, apesar de os atletas terem permissão para usar substâncias proibidas para melhorar o desempenho. Enormes incentivos financeiros também foram oferecidos, com os competidores podendo levar para casa um bônus impressionante de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) caso conseguissem quebrar um recorde mundial oficial durante o evento em Las Vegas.

Ao longo dos últimos três meses, 37 dos 50 atletas admitidos para a competição se submeteram a um intensivão de treinos e doping individualizados, sob supervisão de um corpo médico contratado pela organização. Confinados num resort cinco estrelas em Abu Dhabi, voluntariam seus corpos para o experimento com testosterona, esteroides anabolizantes, drogas de crescimento como HGH e EPO, moduladores metabólicos, hormônios, estimulantes como Adderall.

No entanto, após dias de grande expectativa apenas um atleta conseguiu faturar a bolada. O nadador grego de origem búlgara Kristian Gkolomeev foi o único competidor a levar para casa o prêmio milionário após "quebrar o recorde mundial" nos 50 metros nado livre masculino.

Com um traje de flutuação de alta qualidade, proibido em competições convencionais, Gkolomeev registrou o tempo de 20,81 segundos. Isso reduziu em sete centésimos de segundo o recorde mundial oficial de 20,88 segundos, que pertence ao australiano Cameron McEvoy. Assista:

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Em três olimpíadas seguidas (Londres, Rio, Japão), Gkolomeev quase chegou ao pódio nos 50m nado livre. Treinou mais quatro anos para Paris 2024, mas novamente perdeu a medalha de bronze por 0,03 segundo.

O nadador britânico Ben Proud chegou muito perto nos 50m borboleta masculino, mas por pouco não conquistou o bônus, terminando em 22,32 segundos, apenas cinco centésimos acima do recorde mundial oficial.

O nadador americano Cody Miller também impressionou após passar por um intenso ciclo de oito semanas envolvendo HGH e testosterona.

O nativo de Las Vegas registrou sua melhor marca pessoal de 26,55 segundos nos 50m peito masculino, mas ainda assim ficou bem abaixo do recorde mundial oficial.

O maior constrangimento para os organizadores veio quando atletas limpos superaram repetidamente os rivais que usaram substâncias proibidas. O astro da natação americana Hunter Armstrong surpreendeu a todos ao vencer a prova dos 50m costas masculino, apesar de se recusar a participar dos protocolos de doping do evento.

Armstrong, que optou por permanecer livre de substâncias proibidas para manter sua elegibilidade para os Jogos Olímpicos de Verão de 2028 em Los Angeles, dominou os competidores que usavam substâncias proibidas, vencendo com o tempo de 24,21 segundos.

Em um momento extremamente constrangedor para a competição, o americano derrotou com folga três rivais que estavam usando ativamente substâncias proibidas.

Uma história semelhante ocorreu nas pistas. O ex-campeão mundial Fred Kerley entrou na competição como um atleta que se declarou "sem substâncias proibidas" e superou diversos rivais que usavam drogas. O americano correu os 100m em 9,93 segundos em sua bateria eliminatória antes de retornar para vencer a final com 9,97 segundos. Ele terminou à frente do velocista liberiano Emmanuel Matadi, que usava substâncias proibidas.