OEA discute crise na Venezuela em reunião marcada por divisão regional

 

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A Organização dos Estados Americanos (OEA) realiza na manhã desta terça-feira, em Washington, uma reunião do Conselho Permanente para discutir a situação na Venezuela após a ofensiva militar dos Estados Unidos. O encontro deve expor de forma clara a divisão entre países da região governados por forças de direita e de esquerda.

O Brasil será representado por Benoni Belli, embaixador do país junto à OEA. Segundo interlocutores diplomáticos, Belli reforçará a posição oficial brasileira de condenar o ataque dos Estados Unidos, com base nos princípios da soberania, da não intervenção e do respeito ao direito internacional.

Integrantes do governo brasileiro afirmam que, tanto na ONU quanto na OEA, o objetivo central do Brasil é marcar posição institucional contra ações unilaterais e reforçar o papel dos organismos internacionais na gestão de crises regionais. A avaliação é que o tema seguirá no centro da agenda diplomática hemisférica nos próximos dias, diante da instabilidade política e dos impactos regionais do conflito.

O debate na OEA ocorre em um ambiente de forte polarização regional. Países com governos mais alinhados aos Estados Unidos, como Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador, tendem a adotar um discurso favorável à posição de Washington ou a evitar críticas diretas à ação militar.

Já governos de esquerda e centro-esquerda, entre eles Brasil, Chile, Colômbia e Honduras, têm defendido, em diferentes graus, a condenação do uso da força, a preservação da soberania dos Estados e a busca de soluções diplomáticas e multilaterais para a crise venezuelana.

De acordo com relatos, não haverá adoção de documentos nem negociações formais durante a reunião, que servirá apenas como espaço para manifestações individuais dos Estados-membros. Cada país fará seu discurso, sem que o encontro represente um momento de definição ou de tomada de decisão sobre eventuais ações.

O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, deverá apresentar uma avaliação geral sobre o ocorrido e sobre o papel da organização a partir de agora. Não são esperados anúncios relevantes.

A posição brasileira segue a linha já apresentada nesta segunda-feira na Organização das Nações Unidas (ONU). Em reunião do Conselho de Segurança, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, afirmou que a ação militar americana configura violação da Carta das Nações Unidas e advertiu para o risco de criação de um precedente perigoso na região.

— O Brasil rejeita categórica e firmemente a intervenção armada em território venezuelano, uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional — afirmou Danese.

Na mesma sessão do Conselho de Segurança, os Estados Unidos defenderam sua atuação, alegando razões de segurança e a necessidade de enfrentar a crise venezuelana. Rússia e China, por sua vez, criticaram duramente a ofensiva, classificando-a como ilegal e contrária ao direito internacional.

A Venezuela denunciou a ação como agressão externa e pediu a condenação formal do Conselho. Outros países manifestaram posições alinhadas à defesa do multilateralismo e à necessidade de soluções diplomáticas.

Um dos críticos mais ativos à ação americana é o presidente colombiano, Gustavo Petro. Ele tem sido alvo de ameaças verbais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na noite de domingo, ao se referir à Colômbia, Trump afirmou que o país é governado “por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Questionado se os EUA poderiam realizar uma operação militar no país, nos moldes da ação na Venezuela, respondeu:

— Soa bem para mim.