O que deveria facilitar a vida de quem circula pelo Rio pode se transformar em ameaça.
Estruturas deterioradas, equipamentos sem manutenção e calçadas em condições precárias tornaram-se obstáculos no caminho do carioca, expondo pessoas a riscos e comprometendo a estética da cidade.
Repórteres do GLOBO percorreram ruas das zonas Sul e Norte, além do Centro, e flagraram postes enferrujados, placas caídas ou em mau estado de conservação, estruturas metálicas corroídas, peças de cimento quebradas e bueiros destampados.
Itens que deveriam servir ao bem-estar dos transeuntes se tornaram pivôs de acidentes e alvo de preocupação.
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Foi uma dessas torres deterioradas que desabou sobre uma mãe e sua filha de 4 anos, no dia 25 de agosto, em Copacabana.
Imagens anteriores à ocorrência mostram o chamado armário óptico — que servia para guardar cabos usados no sistema de telecomunicações — com a parte inferior podre.
Antes do acidente, a Sociedade Amigos de Copacabana havia solicitado a remoção do equipamento à prefeitura, que notificou e multou três vezes o responsável pelo equipamento.
Outro caso recente ocorreu nos arredores da Praça Saens Peña, na Tijuca, com uma amiga da aposentada Maria Salete, de 83 anos.
Dessa vez, o vilão foi um bueiro.
— Ela caiu, quebrou dentes e machucou o rosto.
Roubam essas placas que servem para proteger os bueiros e fica esse perigo — lamenta Salete.
Maria Salete aponta um dos bueiros com tampa improvisada em frente à Praça Saens Peña
Amanda Rosa
Em nota, a prefeitura garantiu que “os órgãos responsáveis estão atuando na vistoria, manutenção e recuperação dos equipamentos e mobiliários urbanos apontados” pela reportagem.
Mãe e filha voltavam para casa quando estrutura desabou sobre elas: câmera de segurança flagrou o acidente
Reprodução/TV Globo
Por mais que algumas estruturas possam pertencer a empresas privadas, como foi o caso do poste que feriu as pedestres em Copacabana, o uso das vias públicas é de responsabilidade da prefeitura.
A fiscalização, inclusive, havia notificado e multado a empresa responsável pelo equipamento três vezes antes do acidente.
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Postes tortos e enferrujados
No Catete e no Largo do Machado, as condições precárias dos postes de iluminação chamam a atenção.
Em algumas vias, como a Rua Bento Lisboa, quase todos os equipamentos estão bastante enferrujados.
Há alguns, inclusive, que, além da corrosão, estão tortos.
Um dos mais inclinados fica na Rua do Catete, quase na esquina com a Rua Silveira Martins.
Poste torto e enferrujado na Rua do Catete quase esquina com a Rua Silveira Martins
Ana Stobbe
O problema se estende para Copacabana.
Um poste está intensamente inclinado em frente ao número 659 da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, a principal via do bairro.
Algumas estruturas apresentam situação semelhante na Praça Cardeal Câmara, ao lado dos Arcos da Lapa.
Perto dali, na Travessa do Mosqueira, pelo menos três postes estão em más condições, com um agravante: há fios soltos e expostos.
Postes enferrujados ainda podem ser vistos no Largo dos Guimarães, em Santa Teresa.
Poste de iluminação torto próximo ao número 659 da Avenida Nossa Senhora de Copacabana
Ana Stobbe
O mesmo acontece a alguns quilômetros dali, na Praça Varnhagem e nas ruas General Roca, Santo Afonso, Major Ávila e Almirante João Cândido, na Tijuca.
Madureira é outra localidade da Zona Norte assolada por postes em estado precário.
Um deles, na Rua Conselheiro Galvão, parece que vai cair a qualquer momento.
— Eu me sinto em muito risco trabalhando aqui perto desse poste — diz uma ambulante, que prefere não se identificar.
Poste por um triz na Rua Conselheiro Galvão, em Madureira
Amanda Rosa
Nas solicitações realizadas à prefeitura pelo canal 1746 é possível identificar esse como um dos principais problemas relacionados ao mobiliário urbano.
Entre os meses de janeiro e maio, ocorreram 863 registros de reparo de poste caído ou em risco de queda.
Houve ainda outras 632 solicitações de reparo de tampão ou poste danificado ou fora de prumo.
Sinalização maltratada
A exemplo do totem que desabou sobre mãe e filha no fim do mês passado em Copacabana, é possível identificar diversas estruturas de metal que estão corroídas na parte inferior durante um percurso pela cidade.
Um caso que chama a atenção está na Lapa.
Trata-se de uma placa de informações turísticas instalada pela prefeitura em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, que deveria dar detalhes sobre o local.
Além de ilegível, o equipamento encontra-se em visível processo de deterioração.
Placa de informações sobre a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro: enferrujada e deteriorada
Ana Stobbe
O mesmo acontece com armários de tráfego, equipamentos que protegem os sistemas eletrônicos usados no controle dos semáforos e do fluxo de veículos.
Pelo menos dois deles apresentam desgastes na base: um localizado na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Constante Ramos e o outro em frente ao número 637 da Nossa Senhora de Copacabana.
As placas de trânsito também têm problemas.
Em diversas vias da cidade foram encontradas peças danificadas, com os postes que as sustentam tortos.
Foi localizada uma estrutura caída no chão, em frente ao número 34 da Rua Andrade Pertence.
Em Copacabana, na Rua Santa Clara, pelo menos três placas de trânsito tinham hastes de sustentação inclinadas.
A CET-Rio vai aos locais vistoriá-los.
Placa de trânsito caída em frente ao número 34 da Rua Andrade Pertence
Ana Stobbe
Bueiros destampados
No Largo do Machado, à direita da estátua do escritor Emílio de Meneses, uma tampa de bueiro está mal colocada na calçada.
Além de apresentar desníveis no entorno, com espaços irregulares, está solta, pronta para ocasionar acidentes caso um pedestre pise em alguma das suas extremidades.
Tampa de bueiro solta junto à calçada, ao lado da estátua de Emílio de Meneses, no Largo do Machado
Ana Stobbe
Nos arredores da Praça Saens Peña, onde um tombo deixou a vítima com dentes quebrados e o rosto machucado, há bueiros sem tampas — cobertos de qualquer maneira com pedras —, pilares danificados e pedaços de ferro sem utilidade.
Ainda na Zona Norte, encontram-se em Madureira mais bueiros destampados ou fechados de forma improvisada.
A Secretaria municipal de Conservação informa que, em Madureira, recompôs cinco conjuntos de grelhas e um ralo de concreto na Rua Américo Brasiliense.
Na Rua Carolina Machado, foi instalada uma chapa sobre um poço destampado de visita de empresa de telefonia.
No Catete e no Largo do Machado, serão realizadas vistorias para programação dos serviços necessários.
Inúteis e perigosas
Há estruturas que não estão prestando nenhum serviço, mas que não foram retiradas das ruas, ampliando o cenário de abandono.
São postes semelhantes aos que levam placas de trânsito, mas que não contêm informação alguma.
Um deles, diante da Escola de Música da UFRJ, na Lapa, além de não estar sendo utilizado, está torto.
Poste sem função em Copacabana
Ana Stobbe
Cenas semelhantes são visíveis no Largo do Machado.
Na altura da esquina com a Rua Bento Lisboa, um desses equipamentos de altura baixa está sendo utilizado como uma espécie de lixeira por transeuntes.
Mobiliário urbano deteriorado na Praça Magno, em Madureira
Amanda Rosa
Em frente ao número 34 da Rua Andrade Pertence, no Catete, uma estrutura inusitada chama atenção.
Além de ter um formato diferenciado, ela não apresenta função alguma e está corroída por ferrugem.
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*Estagiária sob a supervisão de Sanny Bertoldo
** Aluna do curso de Jornalismo do Futuro sob a supervisão de Rafael Galdo
