Observatório de BH capta cápsula Orion, da missão Artêmis II, a mais de 300 mil km da Terra

 

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Um observatório, na cidade de Caeté, localizado na região metropolitana de Belo Horizonte, conseguiu captar a cápsula Orion, da missão Artêmis II, a mais de 300 mil km da Terra.

As observações da cápsula foram realizadas em quatro noites consecutivas, entre a última quinta e a noite de segunda-feira, período em que foram obtidos quatro registros do veículo da tripulação em movimento no céu.

As observações foram feitas pelos astrônomos Eduardo Pimentel e Cristóvão Jacques do Observatório Sonear. Eles precisaram recorrer aos dados oficiais disponibilizados pela NASA como a trajetória da nave, horários previstos e a posição dela no espaço para o registro.

Segundo o engenheiro e astrônomo, Cristóvão Jacques, a partir disso, foi possível calcular as coordenadas precisas da cápsula no céu, chamadas de ascensão reta e declinação, que funcionam como um 'endereço' celeste:

'A gente precisa, primeiro, saber onde o objeto está. Para isso, consulta sites específicos que fornecem essas coordenadas. De posse desses dados, fazemos o apontamento para a região onde o objeto está, neste caso, a Artemis. Em seguida, por meio de uma câmera digital acoplada ao telescópio, fazemos exposições curtas da área onde ela se encontra. Depois, com um software especializado, reunimos todas essas imagens e conseguimos identificar com precisão a posição da Artemis dentro do registro.'

O observatório de Caeté é especializado em pesquisa de asteroides próximos à Terra e reconhecido internacionalmente para este tipo de atividade. A equipe realiza uma espécie de patrulha no céu e é por meio de fotos tiradas em tempos variados que analisa os corpos celestes:

'A gente participa de um processo em escala mundial chamado defesa planetária, que é a proteção da Terra contra possíveis impactos de asteroides e cometas. Esse acompanhamento da Artemis não começou agora, nós já fizemos isso na primeira missão. Não é apenas um interesse científico, mas também de divulgação. O meu objetivo é mostrar coisas que, às vezes, as pessoas não acreditam. Uma pesquisa recente do Datafolha apontou que cerca de 30% das pessoas não acreditam que o homem foi à Lua. Se estivéssemos na época da missão Apolo, faríamos a mesma coisa, mas, claro, naquela época não tínhamos os equipamentos que temos hoje.'

O primeiro registro do observatório foi feito em janeiro de 2014, do cometa Sonear C/2014 A4, do qual o observatório herdou o nome. Desde então, eles já fizeram mais de 50 descobertas entre de arteroídes e cometas que se aproximaram do globo terrestre.

A missão Artemis II está prevista para retornar à Terra nesta sexta-feira (10).