Obras avançam em encostas da Zona Norte e reduzem riscos de deslizamentos
Em áreas onde o risco de deslizamento ainda faz parte da rotina, obras em andamento começam a mudar a paisagem e a percepção de segurança de moradores da Zona Norte. Nos complexos da Penha, do Alemão e do Lins, intervenções de contenção de encostas e drenagem estão em curso, com previsão de conclusão no segundo semestre deste ano.
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As ações fazem parte de um pacote que soma cerca de R$ 50 milhões em investimentos desde 2021, com recursos do município e do governo federal. O objetivo é reduzir riscos em áreas consideradas vulneráveis e ampliar a proteção de quem vive nesses lugares.
A subprefeita dos Grandes Complexos e presidente do Conselho Municipal de Favelas, Marlí Peçanha, destaca o impacto direto das intervenções:
— Estamos avançando com as obras nessas áreas mais vulneráveis para prevenir deslizamentos, proteger vidas e promover mais segurança, dignidade e melhores condições de vida para quem mora nessas localidades.
No Complexo da Penha, onde se concentra a maior parte dos recursos, há obras em diferentes pontos. Na Vila Cruzeiro, equipes atuam com cortinas ancoradas e muros de arrimo. Na Chatuba, no Parque Proletário do Grotão, os serviços incluem revestimento de concreto e vigas estaqueadas. Também há frentes no Morro da Caixa D’Água, incluindo a Rua do Geraldo, e no Morro do Caracol, que passa por estabilização e melhorias na drenagem.
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Morador da comunidade Caixa D’Água desde 1973, Valter Cruz, de 68 anos, diz que a mudança já é sentida no dia a dia.
— As obras de encostas no entorno da minha casa trouxeram mais tranquilidade e segurança para minha família e meus vizinhos. Agora a gente fica mais tranquila e se sente protegida toda vez que chove forte — afirma.
No Complexo do Lins, as intervenções se espalham por várias áreas. Nos morros da Cotia e da Bacia, há reforço das encostas, melhorias no escoamento da água e desmonte de rochas. Na Rua Sincorá, no Morro da Cachoeira Grande, estão em execução revestimentos de concreto, além da construção de passarela e escadaria. A comunidade da Cachoeirinha também recebe obras, com foco na encosta da Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, considerada estratégica para o fluxo viário da região, além de uma frente na Rua Nossa Senhora da Guia para estabilização e acesso.
Moradora da comunidade Cachoeira Grande, no Complexo do Lins, Idaiana Lopes, de 40 anos, diz que a obra mudou a rotina da área:
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— Antes, havia risco de desabamento, e as crianças não podiam brincar com tranquilidade. Hoje, o espaço foi refeito e meus dois filhos podem brincar com mais segurança.
Já no Complexo do Alemão, os trabalhos se concentram atualmente na encosta da Rua do Meio, com serviços de contenção de riscos.
Parte desse conjunto de intervenções já foi concluída nos últimos anos. No Complexo da Penha, por exemplo, obras foram finalizadas entre 2023 e 2024 nos morros da Paz e do Caracol, na Comunidade do Grotão e na Rua do Sossego. No Alemão, o Morro dos Mineiros recebeu três obras de reforço entre 2022 e 2025. No Lins, uma intervenção foi concluída em 2022 na Rua João, na comunidade Árvore Seca.
O presidente da Fundação Geo-Rio, Anderson Marins, afirma que o volume de obras reflete um planejamento contínuo na cidade.
— Desde 2021, a Geo-Rio ampliou de forma consistente os investimentos, e consolidamos um dos maiores ciclos de intervenções geotécnicas do Rio, sempre com foco em segurança, prevenção e responsabilidade técnica. Seguimos atuando com vistorias, projetos, obras e serviços de manutenção em encostas da cidade — diz.
Segundo ele, os números ajudam a dimensionar a atuação:
— Em toda a cidade, realizamos mais de 300 obras que somam R$ 460 milhões em investimentos nos últimos anos.
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