'OAB da medicina': repórter do GLOBO responde a carta de leitor sobre prova de proficiência

 

Fonte:


O Ministério da Educação (MEC) divulgou, no dia 19 de janeiro, o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), prova que classifica os cursos de medicina no país e que é de realização obrigatória. Dos 351 cursos avaliados, 107 (30%) tiveram desempenho considerado insatisfatório com menos de 60% dos alunos considerados proficientes. A repercussão negativa do resultado, por sua vez, reacendeu um debate: por que não há um exame para os formandos de medicina nos mesmos moldes da prova aplicada para ingressar na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que restringe a possibilidade de atuação apenas aos aprovados?

Leitores do GLOBO enviaram mensagens à Redação com tal questionamento. Como, por exemplo, Luiz Fernando Schittini: "Se há o concurso para o registro da atividade jurídica na Ordem dos Advogados do Brasil, por que não fazer a médica junto ao Conselho Federal de Medicina? A população brasileira desde já agradece."

A repórter do GLOBO Julia Cople, em vídeo, responde ao questionamento do nosso leitor e mostra detalhes da negociação entre grupos que são contra e a favor da implementação de um possível exame nos moldes "OAB da medicina". Assista.

Carta dos leitores: Repórter responde dúvida sobre prova de proficiência da medicina

Leia a carta completa:

"O Brasil é um dos países com maior número de cursos de Direito e Medicina no mundo. O primeiro trata da preservação das liberdades individuais, e o segundo, de vidas humanas. Se há o concurso para o registro da atividade jurídica na Ordem dos Advogados do Brasil, por que não fazer a médica junto ao Conselho Federal de Medicina? A população brasileira desde já agradece." Por Luiz Felipe Schittini (Rio)

Perfil: Alunos de Medicina dos cursos de piores notas no Enamed são mais velhos e reclamam da estrutura da faculdade

Entenda o contexto

Criado em 2025 pelo Ministério da Educação, o Enamed (Exame Nacional de Avaliação de Formação Médica) avalia a formação médica no Brasil a partir da qualificação dos cursos, classificados em notas que vão de 1 a 5.

Dos 351 cursos avaliados na última edição do Enamed, 107 (30%) tiveram desempenho considerado insatisfatório – com notas 1 ou 2 – com menos de 60% dos alunos considerados proficientes. A maioria dos cursos com desempenho insatisfatório é formada por instituições de ensino superior municipais (87% com conceitos 1 e 2) e privadas com fins lucrativos (61%).

Ao todo, o Enamed teve 89.024 alunos e profissionais avaliados. Neste ano, quem fez a prova poderia optar por usar a nota também no Exame Nacional de Residência (Enare), considerado o Enem da residência médica, usado para o ingresso de médicos em programas de especialização em todo o país. Com isso, o MEC buscou incentivar a adesão ao Enamed, segundo Santana.

Na contagem total, 75% dos 89.024 inscritos para a prova em 2025 conseguiram a chamada proficiência, ou seja, alcançaram ao menos a nota mínima aceitável estipulada pelo MEC. Não há, atualmente, sanções aos alunos e médicos que tiveram resultado insatisfatório na prova.