O susto passou: asteroide que já foi apontado como ameaça para 2032 agora deve apenas 'raspar' a Lua; entenda
Um asteroide que chegou a preocupar cientistas por seu potencial destrutivo deve apenas “passar de raspão” pela Lua, para alívio dos astrônomos. A rocha espacial conhecida como 2024 YR4, descoberta no fim de 2024, não deve colidir com o satélite natural da Terra, segundo novas observações acompanhadas de perto pela Nasa, divulgadas na sexta-feira (6).
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Inicialmente, o objeto chamou atenção por parecer representar risco ao nosso planeta. No início dos cálculos, cientistas estimaram até 3,1% de chance de impacto com a Terra em 22 de dezembro de 2032. Observações posteriores descartaram esse cenário, mas em junho de 2025 surgiu outra hipótese: uma probabilidade de 4,3% de colisão com a Lua.
Observação de precisão
Para esclarecer a trajetória do asteroide, uma equipe liderada pelo astrônomo Andy Rivkin, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, e por Julien de Wit, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), recorreu ao telescópio espacial James Webb, o único capaz de detectar o objeto antes de 2028.
As observações realizadas em 18 e 26 de fevereiro permitiram refinar os cálculos. Segundo a Nasa e a Agência Espacial Europeia, o YR4 passará a cerca de 22,9 mil quilômetros da Lua, com margem de erro de aproximadamente 800 quilômetros, distância pequena em termos astronômicos, mas suficiente para descartar um impacto.
Caçando um ponto quase invisível
Detectar o asteroide foi um desafio. Com cerca de 60 metros de diâmetro, o objeto estava a milhões de quilômetros do telescópio e aparecia extremamente fraco, refletindo luz equivalente, segundo os pesquisadores, à de uma única amêndoa vista da distância da Lua.
Para localizá-lo, a equipe precisou adaptar os instrumentos do Webb, normalmente usados para observar galáxias distantes, transformando-os em um rastreador capaz de seguir um objeto pequeno e em rápido movimento. Exposições cuidadosamente sincronizadas permitiram medir com precisão a posição do asteroide em relação às estrelas de fundo.
De acordo com a Nasa, o YR4 era 4 bilhões de vezes mais fraco do que o limite visível a olho nu e até 30 vezes menos brilhante do que os menores asteroides detectados por outros observatórios.
Alívio e experiência para o futuro
Embora o encontro cósmico não deva terminar em choque, a aproximação ainda é considerada relativamente próxima. Astrônomos afirmam, no entanto, que novas observações devem apenas ajustar levemente os cálculos, sem alterar a conclusão de que não haverá colisão.
Para o astrônomo Paul Wiegert, da Western University, no Canadá, que estuda possíveis impactos lunares, o resultado é ao mesmo tempo tranquilizador e um pouco frustrante.
— Embora seja um pouco decepcionante perder a chance de observar um grande impacto na Lua, é impressionante ver como a ciência consegue prever e acompanhar eventos assim — disse ele.
Além de afastar o risco, o episódio serviu como teste para futuras missões de defesa planetária. Segundo os pesquisadores, as técnicas usadas pelo Webb podem ajudar a rastrear outros asteroides potencialmente perigosos que cruzem o caminho da Terra, ou da Lua, nas próximas décadas.
