Por Bruce WilliamPostado em 28 de outubro de 2026 Imagine pagar ingresso para assistir a uma das maiores atrações pop dos anos 1960 e descobrir que o show de abertura seria de Jimi Hendrix.
Hoje, a combinação parece um presente para qualquer fã de rock, mas, em julho de 1967, a experiência foi um desastre. O guitarrista, que começava a conquistar o público americano depois de fazer sucesso na Inglaterra, precisou enfrentar plateias adolescentes que não tinham o menor interesse em sua música.
A banda principal era o The Monkees, fenômeno nascido de uma série de televisão e dono de sucessos como "I'm a Believer" e "Last Train to Clarksville". A ideia de colocar Hendrix na turnê partiu de uma combinação de interesses: os integrantes dos Monkees admiravam o guitarrista, enquanto o empresário Mike Jeffery enxergava uma oportunidade de apresentá-lo a milhares de pessoas.
Chas Chandler, que também cuidava da carreira de Hendrix, considerou a proposta absurda. Micky Dolenz, dos Monkees, contou à Guitar Player que havia conhecido o trabalho do músico ainda antes de sua explosão internacional.
Quando voltou a vê-lo no Monterey Pop Festival, em junho de 1967, ficou impressionado. "Foi o blues-rock mais incrível que já tínhamos ouvido.
Fiquei estupefato, como todo mundo", recordou. Dolenz acabou se tornando um dos responsáveis pela improvável contratação do Jimi Hendrix Experience para abrir os shows.
O problema apareceu assim que a turnê começou, em 8 de julho, na Flórida. O público dos Monkees era formado principalmente por adolescentes que esperavam ouvir canções pop e ver seus ídolos da televisão.
Em vez disso, encontravam Hendrix, Noel Redding e Mitch Mitchell tocando um rock psicodélico barulhento, cheio de distorções e improvisações. Segundo Dolenz, assim que o guitarrista começava "Purple Haze", os gritos de "Queremos Davy!" praticamente encobriam os amplificadores.
Michael Nesmith, outro integrante dos Monkees, tinha uma perspectiva completamente diferente. Ele costumava assistir às apresentações de Hendrix escondido perto do palco, maravilhado com o que ouvia.
Em entrevista à MTV, em 1986, lembrou que nunca havia presenciado nada parecido com a primeira vez em que viu o guitarrista tocar "Foxy Lady". Enquanto Nesmith tentava aproveitar o espetáculo, milhares de adolescentes continuavam exigindo a presença dos Monkees.
A situação chegou ao limite durante a passagem da turnê por Nova York. Segundo Nesmith, Hendrix perdeu a paciência com os gritos da plateia e encerrou uma apresentação de maneira pouco amistosa.
"Havia um mar de braços cor-de-rosa se agitando e gritando 'Queremos os Monkees!'. Finalmente, ele mostrou o dedo do meio para todo mundo, soltou um palavrão e foi embora", recordou.
O episódio se tornou parte da história do guitarrista, embora os relatos não permitam confirmar todos os detalhes com absoluta certeza. Depois de apenas sete apresentações, Hendrix deixou a turnê, em 17 de julho de 1967.
Para justificar a saída, circulou uma história segundo a qual a organização Daughters of the American Revolution havia protestado contra seu comportamento supostamente erótico no palco. A versão era uma invenção publicitária destinada a encobrir o fracasso da combinação.
Curiosamente, a exposição acabou contribuindo para tornar Hendrix mais conhecido nos Estados Unidos, onde seu primeiro álbum, "Are You Experienced", seria lançado semanas depois. Os Monkees, que admiravam sinceramente o músico, continuaram tocando pequenos trechos de "Purple Haze" em suas apresentações.
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