O que um quarto bagunçado pode revelar sobre a personalidade de alguém? Veja o que dizem psicólogos - QTU Questões do Universo

O que um quarto bagunçado pode revelar sobre a personalidade de alguém? Veja o que dizem psicólogos

Fonte: Bandeira da fonte

Embora não seja suficiente para definir a personalidade de alguém, um quarto desorganizado pode dizer algo sobre os hábitos de quem vive nele.
Estudos em psicologia analisaram como ambientes pessoais, como quartos e escritórios, podem estar associados a determinadas características e até influenciar decisões.

'Músculo é patrimônio': como ele impacta para a inteligência, longevidade e autonomia
Alimentação e saúde sexual: o que vai ao prato também importa
Os resultados, porém, não permitem concluir que uma pessoa desorganizada seja necessariamente preguiçosa, irresponsável ou indisciplinada.
Em um trabalho conduzido pelo psicólogo Sam Gosling, da Universidade do Texas em Austin, e publicado no Journal of Personality and Social Psychology, pesquisadores analisaram quartos e escritórios para avaliar até que ponto outras pessoas conseguiam obter informações sobre quem ocupava aqueles espaços.
Fotografias, livros, objetos de decoração e a forma como os pertences estavam distribuídos foram alguns dos elementos observados.
Para os pesquisadores, esses sinais poderiam fornecer pistas sobre características dos proprietários.
O que a organização pode indicar
Entre os aspectos avaliados estava a responsabilidade — característica associada, dentro do modelo dos Cinco Grandes Fatores da Personalidade , à organização, à constância e à orientação para objetivos.
Um ambiente cuidadosamente organizado pode coincidir com algumas dessas características.
Isso, porém, não significa que alguém com um espaço desarrumado não possa apresentar o mesmo perfil em outras áreas da vida.
A desorganização também pode ser consequência de uma série de pequenas tarefas que deixam de ser feitas.
Guardar uma roupa, colocar um objeto no lugar ou liberar uma superfície são ações simples isoladamente.
Quando se acumulam, transformam-se em uma carga maior.
Falta de tempo, mudanças de prioridades e uma tolerância maior à desordem também podem contribuir para um ambiente desorganizado.
Por isso, uma mudança repentina costuma ser mais significativa do que a aparência do espaço em um determinado momento.
Uma pessoa que sempre manteve o quarto organizado e passa a negligenciá-lo pode estar atravessando uma situação diferente de alguém que sempre teve hábitos menos estruturados.
Quando a bagunça pode estimular a criatividade
Outro estudo, conduzido por Kathleen Vohs e outros cientistas da Universidade de Minnesota e publicado na revista Psychological Science, investigou como ambientes organizados ou desorganizados poderiam influenciar formas de pensar e determinadas decisões.
Em um dos experimentos, participantes precisaram encontrar novos usos para bolas de pingue-pongue.
Aqueles que estavam em um ambiente desorganizado apresentaram propostas consideradas mais criativas por avaliadores independentes.
Em outro experimento, pessoas colocadas em um ambiente desorganizado demonstraram maior inclinação por um produto novo.
Kathleen Vohs explicou o resultado:
— Ambientes desorganizados parecem inspirar uma ruptura com a tradição, o que pode produzir novas perspectivas.
O estudo também encontrou diferenças entre os participantes que permaneceram em ambientes organizados.
Eles tenderam a fazer escolhas consideradas socialmente desejáveis, como optar por alimentos mais saudáveis e realizar doações maiores.
O ambiente influencia, mas não define
Os resultados não significam que um quarto bagunçado torne alguém criativo, assim como um espaço impecavelmente organizado não garante disciplina ou responsabilidade.
O que os experimentos sugerem é que o ambiente pode influenciar temporariamente determinados comportamentos, dependendo da atividade e do contexto.
A própria desorganização também pode ter explicações diferentes.
Ela pode estar relacionada à falta de tempo, a mudanças de prioridades, a hábitos pessoais ou a períodos de maior pressão e pode coexistir com altos níveis de responsabilidade em outras áreas.
A evidência reunida pelas pesquisas aponta, portanto, para uma relação entre o espaço em que uma pessoa vive e determinadas formas de comportamento, mas não para uma relação determinante.
Um quarto pode dar pistas sobre hábitos e até interferir em algumas decisões, mas não é capaz, sozinho, de dizer quem uma pessoa é.